Gloria Kirinus 
 Quando chove a cântaros



Gloria Kirinus
Quando chove
a cântaros


il. Graça Lima
Paulinas, 2005


É a imaginação poética que aqui chove em cortinas de fascínio e tragédia: um banho
que o mundo recebe para lavar o corpo e a alma,
um espetáculo imenso de alegrias e pais-nossos.
Da festa nas ruas à redondeza das colinas, do canto de goteiras dentro de casa ao céu mais limpo que ninguém lembra ou desconfia, acima, além das nuvens. Lá,
quem diria, estrelas cometas planetas astros asteróides
vão se achegando do avarandado da lua para
espiar a turbulência que mergulha a terra.

Quando chove a cântaros, as ruas viram rios
e as cenas mais descabidas acontecem. Carros boiando
como os barquinhos de papel que nossa infância permitia fazer e fazíamos correr na aguaça das calçadas.

Poema narrativo de Gloria Kirinus que
passeia pelas paisagens inventadas mudando
coisas e cores de forma e função. Na calda de texto,
os encantamentos domésticos não cedem à inundação:
nos lençóis das lavadeiras, aromas de esperança
são despejados porque é preciso amaciar o tempo.
Na enxurrada, diz a poeta, raios de bicicleta
são carregados sem rumo... na ilustração,
Graça Lima deita um menino, braços abertos, no moisés
da antiga roda, os raios do aro agora iluminando a alusão.

Livro bilíngüe em português e espanhol
falando sobre a chuva, misturando a terra e o céu,
na coleção Dobrando a língua que celebra a irmandade dos povos latino-americanos. Em breve, Gloria voará céu e terra novamente, em Quando as montanhas conversam.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Então, as filhas
das Três-Marias
brincam de pega-pega
com serpentinas de prata.
— Que mil raios me
[partam!!! —
a Ursa Maior repreende.
— Que meninas
[mostradeiras!
Ocupem já seus lugares...
O espetáculo da Terra
não demora a começar! »


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