Dias incríveis 
 Tereza Yamashita e Luiz Bras



Tereza Yamashita
e Luiz Bras
Dias incríveis

il. Teodoro Adorno
Callis, 2006


Minha avó dizia:
tem dia-bom, tem dia-binho, e assim a gente passa o ano todo no corre-corre ou na espera de alguma coisa acontecer. Aniversário para ganhar presente, data comemorativa,
data cívica para matar aula, feriado feito pra espichar... Mas é bem verdade que, muitas vezes, o planejado dia especial não passa de um dia igual aos outros. Ou será que não?
Poderá ser um dia incrível?

Tereza Yamashita e Luiz Bras apostam em dezesseis minicontos — contitos divertidos, como definem os autores — a partir de datas festivas e históricas de nosso calendário. Mas o destaque mesmo é a situação mais prosaica e cotidiana, os conflitos em torno de um dia especial.
Pense bem:
qual seria o pior dia para nascer e ficar
o resto da vida sem festa de aniversário...
Qual a emoção que o carnaval trasmite
para quem está do lado de fora da avenida...
Onde se escondem os coelhos da Páscoa...
O que seria melhor do que
ir para a forca como Tiradentes...
Se sua mãe fosse taxista, no 1º de maio,
você estaria a passeio e ela trabalhando?

Algumas histórias extravasam para a fantasia
e é assim que o livro prossegue: Dia das Mães »»
Festas Juninas, Dias dos Namorados, Férias, Dias dos Pais, Independência do Brasil, Dia das Crianças, Dia das Bruxas, Dia da Bandeira, Dia da Consciência Negra e Natal.
No final, o leitor encontra sete páginas que encartam informações e curiosidades sobre os dias que inspiraram
a criação de cada história.

Os contos são estruturados através de diálogos
e o narrador por vezes aparece apenas para dar cabo
da passagem ou algum salto no tempo, como uma legenda de história em quadrinhos. Mas, aqui, o leitor deve se esforçar e imaginar o cenário, a ação, os participantes dessas conversas... Cada história parece guardar um segredo, pois sempre existe um "elemento oculto" que se revela
em seu final. A linguagem é contemporânea, sem requintes, como a fala da gente em dia de semana.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« — Sai pra lá.
Você tá me apertando!
— Você é
quem está com o pé
na minha cara, ô!
— Ops…
Tá ouvindo?
Que música legal.
Calminha, calminha…
Dá um soninho…
— Acorda,
seu preguiçoso! Não vê
que tá na hora da gororoba? Olha ela aí.
— Hum! Salada
de tomate, queijo fresco… êpa, rúcula com chantily?!
— Rúcula com chantily?! Hummm!
É, até que ficou bom.
— Tô satisfeito! Agora é que está dando um soninho… Vou até esticar as pernas… Ei, dá pra tirar o cotovelo daí?
— Pára de gritar, moleque! Quieto. Ela tá lendo outro capítulo da história. Será que a Alice vai sair dessa encrenca?
— Eu gosto é
do coelho nervosinho!
“Ai ai, meu Deus,
ai ai, meu Deus,
é tarde, é tarde!”
— Puxa, hoje
o tempo passou rápido. Olha só! Já tá na hora
da gororoba esperta
de novo. »


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