Gloria Kirinus Aranha castanha e outras tramas (crônicas) il. Angela Leite de Souza Cortez, 2006 Literatura que caminha narrando o cotidiano — a crônica —, também narrará caminhando? Não sabemos. Poderíamos? Apenas acompanhamos um fluxo de olhar detalhes, incidentes, pessoas, palavras: é Gloria Kirinus cronicando deslizes, vozes, diagonais, vidas como que pregadas a uma sinfonia sem partitura. Há um dom para o delírio, certamente que há, uma picada de aranha que inspirou esse flertar-refletir o mundo a sua volta: curtos 21 cortes, ora essa! Dou-me à interjeição no lugar de uma pergunta e sigo imitando o estilo lavra-palavra que caracteriza a autora e sua esteira de poesia. Sobre ela, ajeitam-se novelos que viram elas. Quero dizer, novelas. E também o código da língua como brinquedo, que tudo mais se ajeita porque metalinguagem, em glória, é uma questão de sincronicidade. E é nesta sin-crônica-cidade que o leitor retece os sentidos e as sensações de cada palavra-situação. Volteios do pensamento, desejo de ver tudo como novo. Peter O'Sagae « No Sul do Brasil, poucas coisas causam mais medo do que uma picada de aranha marrom (Loxosceles). Contudo, também vem de lá a Aranha Castanha (Imaginoxosceles Cotidianum Kirini), cuja picada nos faz capazes de encontrar numa mensagem da internet, numa viagem de avião, num lenço cor de mel, num "presente" respondido por um aluno ou no som de palavras desconhecidas, as raízes mais profundas do querer viver. Entre na teia desta fiandeira e não procure pronto-socorro para os sintomas de poesia, de filosofia, de felicidade. É que sua visão não fica turva: fica caleidoscópica. » Marcus Vinicius Santos Kucharski
« Quando a aranha que escapuliu das teias da Gloria veio tecer suas armadilhas ao meu redor, não podia eu imaginar que, de simples leitora, ainda iria me converter em tradutora visual desses enredos. Da admiração pela inteligência dos textos, passei à angústia de criar tessituras para vesti-los adequadamente. Até que, de repente, sua magia me contagiou: lápis, agulha e linha, tudo trabalhou como se, desde sempre, aquelas imagens tivessem estado aguardando em minhas mãos, pacientemente, o momento de nascer. Que esta nossa ARANHA CASTANHA prossiga esse delicioso trajeto pela alma do leitor adentro. » Angela Leite de Souza
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