Cornelia Funke 
 Coração de tinta




Cornelia Funke
Coração de tinta

trad. Sonali Bertuol
Cia. Das Letras, 2006


Meggie é filha de um pacato encadernador e restaurador de livros antigos, amante de seu ofício e um leitor experimentado. Mas a menina nunca ouvira Mo contar-lhe uma história. Existiria algum segredo por trás de um fato tão simples,
quase banal? É claro que sim e esta é a chave da grande aventura que a escritora alemã Cornelia Funke prepara:
em uma noite de chuvinha murmurante, caindo fininha, chega à casa um estranho visitante chamado Dedo-Empoeirado — um nome impressionante e pouco lisonjeiro para quem odiaria imaginá-lo segurando seu livro preferido, hein?
Isso agora pouco importa: ele não está ali para bisbilhotar
as estantes, nem mesmo apenas para uma xícara
de chá bem quente: traz a mensagem de que algo funesto está para acontecer: não tardará e os cruéis homens de Capricórnio alcançarão Língua Encantada!

A menina nunca ouviu todos esses nomes em sua vida,
quem são? Por que será inevitável fugir? Língua Encantada é, senão outro, Mo, e ela sabia que nenhuma voz soava como a de seu pai, quando lhe contava histórias (mas nunca lia). Com sua voz, Mo era capaz de pintar imagens no ar.
Porém, capaz de muitas outras coisas também...

Com fantasia e descrições vívidas e muito ricas, Funke
cria um thriller de aventuras rumo ao sul da Itália, por estradas, florestas, encostas com vista para o mar, vilarejos esquecidos do mundo moderno... São muitos os cenários de cinema, como a imensa e solitária mansão de tia Elinor, com reboco de cor ocre e incontáveis janelas, todas fechadas. Milhares de livros: raros, antigos, únicos, colecionados por gerações de bibliômanos! Para Meggie, era como se todos eles sussurrassem promessas, histórias desconhecidas, passagens para mundos nunca antes vistos.

E ela conquistará um mundo novo
(ou uma nova compreensão do mundo), quando o mal estender suas garras sobre o dom de Língua Encantada. Quem é que nunca desejou conhecer ao vivo os personagens de seus livros prediletos?, esta é a isca da quarta-de-capa: Mo, além de exímio encadernador, tem uma habilidade insólita: ao ler em voz alta, dá vida às palavras, e coisas e seres das histórias surgem ao seu lado como que mágica.

Ai de nós, que imaginamos ingressar nos livros
tal qual os livros ingressam em nossas vidas...
Coração de tinta, tinta negra sobre o papel branco,
quem o tem? Ah, sim, só existe um volume para resolver o mistério e dar ordem ao caos instalado. Entre personagens e leitores, quem poderia inventar um desfecho para a trama?

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Já havia alguns anos, ele confeccionara um pequeno baú para ela carregar os livros prediletos em todas as viagens, curtas e longas, para lugares distantes e não tão distantes. “É bom ter os próprios livros quando se está num lugar estranho”, Mo dizia. Ele mesmo sempre levava pelos menos uma dúzia.
Mo pintara o baú de vermelho, vermelho como uma papoula, a flor preferida de Meggie, cujas pétalas eram ótimas para prensar entre as páginas de um livro e depois carimbar na pele uma estampa com a forma de uma estrela.
Na tampa, Mo escrevera, com lindas letras ornamentais, Baú do tesouro de Meggie; dentro, o forro era de tafetá preto-brilhante. »



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