Branca de Neve e outras histórias


Fernanda Lopes de Almeida

A Aranha,
a Dor de Cabeça
e outros males
que
assolam o mundo


il. Elisabeth Teixeira
Ática, 2005


Há muitos séculos o homem descobriu uma maneira divertida e instrutiva de ensinar ética a seus semelhantes: contando fábulas. Longe de serem apenas aventuras de animais falantes, essas histórias descrevem com precisão o melhor e o pior do comportamento humano. Depois de se deleitar com as obras de Esopo e La Fontaine, mestres do gênero, Fernanda Lopes de Almeida - uma das grandes escritoras da literatura infantil brasileira - sentiu um desejo de transpô-las para um código de valores compatíveis com a mentalidade das crianças de hoje e se propôs a cumprir este desafio. A Aranha, a Dor de Cabeça e outros males que assolam o mundo traz lições de vida que nunca envelhecem.

Cada uma das quinze histórias aborda um vício contra o qual devemos sempre lutar. “É apontando o Mal que as fábulas chegam a despertar a noção do Bem”, diz a autora, que escolheu temas como vaidade, arrogância, inveja, má-fé e egoísmo para mostrar a importância da boa convivência e do respeito. Para garantir que os leitores pensassem com liberdade e tirassem suas próprias conclusões, ela suprimiu a tradicional ‘moral da história’. “As crianças pensam muito, ao contrário do que os adultos crêem. Apenas, às vezes, é necessário convidá-las à reflexão”, explica.

Nessas fábulas, habilmente reinventadas, encontramos o corvo que queria se passar por pavão, o leão que menosprezou o poder de um mosquitinho, o conhecido caso da cigarra e da formiga – em uma versão com final inusitado –, além da divertida narrativa que dá título ao livro. Nela, o diabo inventa a aranha e a dor de cabeça apenas com a intenção de perturbar o ser humano e pede para que elas escolham onde gostariam de morar: num palácio ou numa cabana. A Aranha ficou com a primeira opção e a Dor de Cabeça com a segunda. Ao longo do texto, o leitor percebe que tais escolhas podem não ser as mais adequadas para as personagens.

O livro traz ainda belíssimas ilustrações de Elisabeth Teixeira que remetem aos desenhos clássicos, com um toque contemporâneo. Entre os mais de 40 livros que ela ilustrou está Contos de Perrault, outro trabalho com Fernanda Lopes de Almeida. Sem falar das obras de arte célebres, como o quadro “O carroceiro atolado”, do russo Marc Chagall, que representa uma das fábulas de La Fontaine, e um retrato de Esopo, feito por Velásquez.

André Cavalcanti
Linhas e Laudas
23.janeiro.2006


Inspirada por La Fontaine, a autora mostra o seu lado fabulista com histórias sobre grandes fraquezas humanas

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