Blog da Ritoca 
 Ana Paula Corradini




Ana Paula Corradini
Blog da Ritoca:
amizades e paqueras


il. Mario Mucida
DCL, 2006


Esqueça o diário secreto
rosa claro com decalques de florezinhas, fechado a cadeado, escondido debaixo da cama. Pense em posts, piscadinhas ;-)
e todas as suas confissões compartilhadas em um pergaminho fúcsia, roxo e rosa choque chamado blog. Estranho mundo novo? Nem tanto...

Conheça Rita, uma adolescente imersa nas tecnologias rápidas de comunicação. Ela acaba de fazer quatorze anos e é arrasadoramente louca por Internet, entrar no MSN, perambular pelo Orkut e escrever extensos posts em seu blog quase nada top-secret ;-) porque afinal qualquer um pode ali espiar e comentar as histórias que ela registra.
As emoções da oitava série, o último ano na mesma escola, as amizades e paqueras que marcam o início de descobertas e novas discussões: ficar ou não ficar, a primeira transa,
a incomunicabilidade com os meninos, as esperanças românticas, droga, vergonha, mentiras e sorvetes. Quantos e como serão os outros dias do resto de nossas vidas?

Enquanto a resposta não vem, ler o Blog da Ritoca é participar de dois processos de interação. Como toda história, existe ali um mundo que se divide em fatos narrados e comentados: Rita, Mari e Luisa são as 'três mosqueteiras' linkadas pelo cotidiano e pelas confidências virtuais, que incluem, além do blog, bate-papos através do messenger, e-mail e torpedos. Cada uma possui seu próprio temperamento que não é descrito por um narrador onisciente, mas é percebido pelas posturas e falas que assumem diante de cada acontecimento. Aliás, também existe o Blog da Luísa, aberto duas vezes. E também o Blog da Rebeca, irmã de Rita... Deste universo fúcsia, adultos e rapazes praticamente ficam exilados, com exceção de Renato, a quem é assegurada a intromissão somente no blog postando seus comentários.

É assim um livro marcado por visões femininas da adolescência, porém não exclusivo para jovens leitoras ;-) Ana Paula Corradini pisca para todos, permitindo-nos
um certo flerte voyeur. Dito isto, pela narrativa entrecortada de pensamentos que os meninos gostariam de descobrir... Um pouco além, a linguagem ludibriando vícios virtuais, aglutina pequenas referências bem-humoradas que funde e confunde elementos da cultura escolástica e da popular.
Os títulos dos capítulos podem ser uma breve prova da bricolagem intertextual, dando reticências a locuções pra lá de conhecidas, como onde há fumaça... ou antes só..., jogando com os títulos da grande literatura, em éramos três ou laços de fita e de família :-p e o inconfundível tom de todo o livro, já expresso no título do primeiro capítulo:
um rito (ou uma Rita?) de passagem.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Nossa, não via a hora de escrever aqui. Nem consegui dormir direito! Ontem rolou a festa de 15 anos da Mari, e agora vejo como essa festa que a minha quer dar para mim não tem nada a ver. A festa foi no prédio da Mari mesmo e não teve nenhuma frescura, nem vestido de babado - e nem Jovem Guarda, viu, família? A mãe da Mari é meio brava - os pais dela são separados e lá só moram as duas -, mas foi supermoderna ontem. Tinha um DJ superdescolado - que só tocou Enjaulados a noite inteira -, umas comidas muito boas e... supresa! Cerveja!
Tudo bem não era nenhum barril, só umas latinhas, e a maioria da galera estava tomando refri, mas a molecada adorou a idéia de ficar de pilequinho. A mãe da Mari estava de olho, mas, mesmo assim, os meninos caíam matando. Eu fui com o Carlão e a gente até dançou um pouquinho, mas depois ele foi tomar cerveja com o Renato, o Morcegão e o Beto, que teve a cara-de-pau de aparecer. E acho que tomou demais... »


Ler entrevista com
Ana Paula Corradini
no site da DCL
Visitar o
Blog da Ritoca

ir para

comprar

voltar