Isso ninguém me tira 
 Ana Maria Machado




Ana Maria Machado
Isso ninguém me tira

il. Maria Eugênia
Ática, 2004


Perdidamente apaixonada por Bruno, Dora nutria daquelas paixões que faz a gente capturar todas as informações e detalhes sobre a vida de uma pessoa, mas nunca chegar perto,
nem mesmo trocar uma palavra. E sua prima sabia disso,
ah, como sabia! Bruno era a música e a sobremesa
das conversas naquela casa... dois anos de suspiros tão suspirados que muita gente acreditava no sentimento compartilhado e correspondido. O que Gabi não sabia era
que o menino moreno que veio em direção a elas, na praia, seria sua nova paixão: o Bruno.

Ana Maria Machado cria três perspectivas
para explicar como a confusão começou, nos três capítulos iniciais apresentando a versão de cada personagem. Gabi, uma garota firme e decidida, é a narradora confessa, mas porque não é justo que você só conheça o Bruno pelo que eu digo, ela abre as cartas de sua prima para todos os leitores no segundo capítulo. Afinal, bom mesmo é saber o que a Dora sempre disse, com as palavras dela. Então, surge a versão do Bruno: no dia seguinte àquele da praia, ele deixou uma fita gravada para mim, dentro de um envelope, na portaria do meu prédio. E vale a pena a gente ouvir...

Assim, o enredo começa iluminado por diferentes
pontos de vista e é certo que Dora se esquecerá
desse amor feito distração para passar o tempo no colégio e, após as férias, decide não mais voltar para os estudos e para a casa dos tios no Rio de Janeiro. Ela ficará no interior, assumindo outros compromissos, um noivado, afinal nem vai mesmo cursar uma faculdade... No entanto, a decisão
da prima resultou em outras complicações na vida de Gabi:
a probição do namoro com Bruno. Mas, esta não é
apenas uma história de amor e rivalidades, é preciso
saber adolescer as convicções.

Depois de uma fase de namoro às escondidas, Bruno segue uma temporada de estudos na Itália e Gabi conhece o que é o amor com um oceano pelo meio. Cartas chegam, cartas partem até o dia em que o rapaz retorna. Serão sempre os mesmos pombinhos que a distância preservou, ou um novo cotidiano de exames vestibulares e do primeiro trabalho irão confrontá-los nos interesses que se renovam?

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Logo da primeira vez que eu vi o Bruno, soube que era o cara mais lindo que eu já tinha visto na minha vida. Foi só bater os olhos nele de longe, andando pela praia devagar em direção a nós duas. Não precisou mais. Um gato. Desses de deixar a gente meio sem fala. Não precisava esforço nenhum para ver que ele era demais. »



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