O vampiro que descobriu o Brasil



Ivan Jaf
O vampiro que
descobriu o Brasil


il. Gonzálo Cárcamo
Ática, 1999


Antônio Brás não era um homem do mar e de suas águas queria pouca proximidade, embora vivesse nas cercanias do porto de Lisboa. Como a maioria das gentes de 1500, acreditava que a Terra fosse inteiramente plana e que, caso alguém navegasse além e além, acabaria caindo da borda. Lá se sabe onde. E bem estaria ali a viver até a própria morte, em sua taberna servindo fregueses, numa cotidiana lida. Nenhuma aventura
o faria afastar-se de boas lascas de bacalhau frito no azeite, acompanhadas de um copo de vinho rascante.
No entanto, tal não será o seu destino.

Transformado em vampiro às vésperas da partida da esquadra de Cabral, para cá Antônio se arrisca numa incessante busca pelo responsável de sua indesejada imortalidade. É preciso ferir o coração do Velho com uma estaca e aspirar as cinzas em que seu corpo se reduzirá,
a fim de ter restituída sua condição humana. Serão 500 anos de aprendizagem sobre os disfarces do grande vampiro e como reconhecê-lo dentro de outros corpos, conduzindo Antônio à participação dos grandes acontecimentos em terras brasileiras... O Velho sempre estará entre os poderosos, mas se nutrirá do sangue dos mais fracos e marginais, escravos, operários, prostitutas, imigrantes, viventes do povo.

Em uma narrativa acelarada, Ivan Jaf mescla
o fantástico e a referência histórica, ao mesmo tempo
em que faz Antônio Brás deslocar-se de Salvador a Recife, Vila Rica, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília...
Para seu projeto, o autor soube escolher as faces mais emblemáticas de nossos cinco séculos de história, interligando personagens e episódios capazes de resumir um longo processo político de lutas e reviravoltas no poder.

Agora, adivinhe você:
qual desses personagens não foi possuído pelo Velho?

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura


« Antônio percorria o salão, observando atentamente cada um dos convidados, atrás dos indícios.
Foi quando estava justamente de costas, admirando pela janela as árvores do grande parque que circundava o Paço, que ouviu o barulho de um vaso quebrando.
Voltou-se e viu José Bonifácio, que acabara de esbarrar numa mesa de canto, tropeçar na ponta de um tapete ao tentar abaixar-se para recuperar a bengala (...) Os risos se espalharam.
O ministro levantou-se de bom humor e ajeitou rápido a gola alta de seu fraque.
Antônio não tirava os olhos dele... »
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