Bartolomeu Campos de Queirós Sem palmeira ou sabiá il. Elvira Vigna Peirópolis, 2006 28 pp. O passado indicado pela gramática divide-se em três tempos e somente aquele chamado imperfeito pode revelar, com exata poesia e vagarosidade de névoa, a persistência da memória. É um passado que não passou e, talvez, com ou sem razão, sem perguntas ou dúvidas sobre saudades, é que venha soar imperfeito: é um passado que fica passando feito filme, feito canção que íntima ecoa e lírica escoa. Ser só e assim riacho de imagens, eis Bartolomeu a cronicar a cúmplice aliteração da infância com a fantasia: por isso, o poeta não se exila, mas acolhe o que há, sem carência, palmeira ou sabiá. Eu-lírico de menino que pensava subir montanhas para ter as encostas do céu, cobria seus pés descalços de poeira vermelha das ruas, não sabia de seu caminho onde a vida ia chegar, todavia. Mas, com três anos, já sabia olhar, escutar e perguntar. Quem olha e escuta, pergunta. E entrega seu presente com um bocado de liberdade mais o tempo frisado em contrastes -- porque o tempo, anúncia o poeta em pequeno prólogo, troca a roupa do mundo. Sensível à densidade das cantigas que evolam atravessando o texto, as ilustrações de Elvira Vigna vêm em nuvens de montagens fotográficas, cenas, rondas, ruas em preto e branco. Eu vi, Elvira mês passado blogou:
há muito tempo fiz umas imagens de umas casinhas velhas de jequié,
sertão da bahia. entreguei para bartolomeu campos de queirós, para que
fizesse um texto para elas. durante muito tempo não fez.
Um livro a falar para o leitor de qualquer idade,aí fez. mas eu já havia publicado as imagens. fiz outras imagens para o texto dele. é o "sem palmeira ou sabiá" que vai sair pela peyrópolis agora na bienal do livro. que fica então um livro assim: imagens suscitaram um texto que suscitou imagens. em qualquer cidade, afetuosamente: sincronicidades. |
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