Histórias de quem conta histórias





Maria Helena Gouveia
coord. Valdir Cimino

Viva e Deixe Viver:
histórias de quem conta histórias


il. Paulo Ziberman
2.ed. Globo, 2005


Uma das mais famosas contadoras de história do mundo e
da literatura chama-se Sherazade. Durante mil e uma noites ela inventou histórias sem fim, prendendo a atenção do sultão que mandava matar suas mulheres após a primeira noite do casamento. Sherazade lutou bravamente contra a morte, conseguindo impedi-la por meio de relatos fantásticos, cada um mais fascinante que o outro.

Pois existe no Brasil um grupo de pessoas que luta contra a angústia das doenças, contra o medo e contra o desespero, contando histórias. Velhas ou novas, algumas inventadas na hora e que passam a fazer parte do repertório. Essa é a brava gente da Associação Viva e Deixe Viver, que trabalha, tem afazeres, tem família, mas que jamais deixa de dedicar um tempo para contar histórias e levantar o ânimo, o astral, de provocar a alegria nas crianças nos hospitais. Um trabalho delicado, em que o contador tem que transmitir a emoção do relato e conter a própria emoção para poder "trabalhar". Voluntários com uma força de vontade excepcional e uma imensa solidariedade para com os que sofrem.

A Associação Viva e Deixe Viver tem aqui contada sua história. Maria Helena Gouveia é a contadora. Como tudo começou, como continuou, como se trabalha, como se preparam os contadores. Um livro que nos prende e nos leva a pensar: e eu, o que estou fazendo? O que posso fazer? Se tem gente ocupada, mas faz, por que não eu, que disponho de umas horas livres? Por que não aplicar um tempo na comunhão com aqueles que amenizam as dores, suavizam o sofrimento e mantêm viva a vontade (necessidade) de viver?

Ignácio de Loyola Brandão
escritor e jornalista


« Este livro não conta histórias de bruxas, fadas e príncipes encantados, mas dá vida a todas as bruxas, fadas e príncipes encantados que existem no coração de cada criança doente, internada em um hospital. »


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« A semana passada não deu para contar história para a Neide,
ela estava sob o efeito
da quimioterapia, zonza, meio adormecida. Parei a história na metade. Hoje voltei ao seu quarto e, para minha surpresa, ela me pediu que continuasse exatamente do ponto
em que eu havia parado
e do qual ela se lembrava perfeitamente. »

* do capítulo
"Está escrito no diário
dos contadores" (p.58)



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