Ricardo Alcántara Gustavo e os medos trad. Cláudia Ribeiro Mesquita il. Gusti Edições SM, 2004 Um medo incomoda a gente, mas incomoda bem menos do que dois medos. Imagine, então, um punhado de medos montados no ombro, sussurrando coisas desagradáveis no ouvido. Foi o que aconteceu ao Gustavo: os medos logo apareceram quando tia Maria chegou. Até então, o garoto nunca tinha ouvido falar deles. Mas não pense você que ela trouxe todos os medos do menino escondidos na bagagem, nada disso. Tia Maria é só cuidados com o Gustavo... Só tinha um problema: ela era dessas que acreditava que criança saudável deve ser rechonchuda e bochechuda, por isso caprichava no prato de comida para o sobrinho. Quem disse que ele conseguia comer tudo? Pois foi assim que Gustavo ficou sabendo que o bicho da escuridão apreciava levar os meninos - especialmente os magrinhos! Com sensibilidade, o escritor uruguaio Ricardo Alcántara define o perfil dos medos, seres endiabrados que acodem rapidamente quando alguém os chama. O primeiro medo de Gustavo era baixinho, de olhos esbugalhados e cabelo eriçado. Mas existem medos de todos os tamanhos e feitios. O importante é descobrir como desalojá-los dos ombros, antes que a cabeça vire um ninho cheio deles. Correr, ficar quieto, fingir que não os ouve? Existiria receita para coragem e destemor? Gustavo irá descobrir -- e o leitor também -- neste conto muito simples e singelo, muito franco para desanuviar caminhos como certas árvores perdem as folhas no outono. Gusti, o ilustrador, deixa o desenho em um quase estado de esboço evocando o clima de uma infância em construção. |
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