Georgina Martins Todos os amores il. Marcelo Ribeiro DCL, 2003 Misterioso, contraditório, tão antigo é mesmo o amor, o mesmo amor. Para todos os tempos e sabores, da mitologia grega ao devaneio de descobertas contemporâneas. Todos os amores reúne três histórias amorosas, que inclui a dor, a esperança, o prazer e a guarda dos bons sentimentos pelo descaminho dos encontros. Georgina Martins nutriu-se dO banquete de Platão para recontar o mito da androginia, em um princípio dos tempos em que os humanos, filhos do sol, da terra e da lua, eram seres duplos dotados de dois sexos, um à frente, outro atrás. Primeiro amor resgata a solene palavra de Zeus: «A nenhum mortal é permitido ver a face do amor sem sofrer, e foi por isso que eu os criei desse modo, com os rostos voltados para lados opostos.» Porém, como toda origem só acontece por uma catástrofe, ou seja, um desenlace, os seres duplos cairão em ruína e, divididos, gerarão uma nova vida. Outra sorte divina de castigo, que impede os amantes de reconhecerem-se e os faz sentirem o desprezo e a ilusão, aparece em Amor-próprio. É a história de Narciso, o mais belo mortal que se embriaga de sua própria beleza à beira de um regato. E é também a história de Eco, uma doce ninfa, que se apaixonou pelo jovem. Amores que não se compartilham, não se dividem, nem se multiplicam, tornados próprios, sem expressão para o outro. A terceira história do livro, Amor de verdade é uma fantasia mítica, criada pela autora, com os deuses, ninfas, monstros e oráculos da Antigüidade grega. Na cidade de Tebas, nascera Selene, linda jovem de pele negra aveludada que, um dia, desposará Hélio. Mas Zeus a deseja para si... A narrativa repousa sobre a estrutura de um conto tradicional, encenando os tormentos ordenados por Hera, a deusa mais vingativa de todo o Olimpo. Como os amantes poderão viver a jura de um eterno amor? O cego Tirésias vislumbra a transformação mágica de Selene, em um final definitivo e surpreendente. Marcelo Ribeiro inspirou-se na pintura da cerâmica grega e no estilo gráfico de artistas contemporâneos, como Gustav Klimt, para evocar um passado visual primitivamente belo e moderno. |
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