Ana Maria Machado História meio ao contrário il. Renato Alarcão Ática, 2005 “Socorro! Acudam! Ladrões! Bandidos! Fechem todas as saídas! Ponham barreiras em todas as estradas! Cerquem o reino inteiro! Exijo que os ladrões sejam presos”. O espanto e a indignação de um rei ao perceber que o dia havia sido roubado conduz os leitores por uma trama cheia de humor em História meio ao contrário. O famoso conto de fada às avessas, escrito por Ana Maria Machado e publicado pela primeira vez em 1978, ganha edição reformulada e visual novo e moderno em lançamento da Editora Ática. A obra começa com o mais tradicional desfecho dos contos infantis, a célebre frase “E viveram felizes para sempre”. Seguindo a lógica do avesso, o clássico “Era uma vez...” foi colocado ao final da narrativa. Assim, o livro surpreende os leitores, com um desfecho totalmente imprevisível e soluções contrárias às encontradas na maioria das histórias. É com toda essa irreverência que a autora escreve sobre um reino comandado por uma família real ingênua, que aprende a lidar com os percalços da vida com um gigante adormecido, um príncipe encantado e um Dragão Negro. História meio ao contrário ganhou muitos prêmios, como Jabuti, João de Barro e APCA. Chegou a ser traduzida em diversas línguas. O sucesso se deve sobretudo aos personagens da história que não se contentam com o destino que os clássicos infantis inventaram para eles. Assim, mostram para as crianças que certas convenções sociais podem ser inúteis e sem sentido e que ser feliz para sempre se torna uma tarefa mais fácil quando se decide comandar a própria vida. Para completar e reforçar tudo isso, a obra conta com as criativas e belas ilustrações de Renato Alarcão. “É um exercício fascinante constatar como a mesma história pode suscitar interpretações visuais tão distintas. A produção gráfica da obra está à altura da importância do texto”, explica. Alarcão acrescenta , ainda, que “as novas ilustrações buscam sublinhar a comicidade da obra. Os gestos e expressões dos personagens foram exagerados. Propositadamente, claro! A intenção é que as imagens acompanhem a inovação de Ana Maria, que adota um tom de ironia no lugar do estilo pomposo dos contos maravilhosos”. |
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