Brincando na ChuvaO menino poeta Henriqueta Lisboa, il. Marilda Castanha Bagagem de Livros — A teimosia de brincar debaixo da chuva jamais se apagou de minha memória: no tempo em que usávamos guarda-pó, mal sabia metrificar poesia, mas achava tal a resposta do menino — "Eu não sou feito de açúcar / Para derreter na chuva." Os versos de Henriqueta Lisboa inspiravam a ousadia de permanecer contra o vento que, palpável, até hoje me faz abrir a janela do carro para segurá-lo com as mãos. A imagem do menino brincando na chuva, extraída do poema Tempestade da antologia O menino poeta (1943), retorna agora numa segunda-feira cinzenta. Pois bem: vejamos como a mesma brincadeira reaparece em outros livros de literatura para crianças.
Menino Chuva na rua do sol
André Neves, il. do autor Paulinas, 2003 Press-Release editado — O autor extrapola os limites entre o humano e os fenômenos da natureza (sol, nuvem, chuva). Logo no título, o autor já indica esta perfeita fusão: chuva, no caso, não é substantivo, mas adjetivo que qualifica ou diferencia o personagem. É assim que este Menino "fala pingos de palavras e enxerga nuvens brincando no céu", é assim, que ele mergulha e se banha na água da chuva para, em seguida, evaporar e subir acima das nuvens, de onde vai cair novamente, em forma de chuva na Rua do Sol".
Celso Sisto, il. do autor EDC, 1999
Quando chove a cântaros
Gloria Kirinus, il. Graça Lima Paulinas, 2005
| ![]()
|
|
Dobras da Leitura Ano VIII - N.º 52 - fev. 2008 |
|