Trabalhar uma seqüência de textos de literatura infantil e juvenil pode mostrar-se uma excelente oportunidade para despertar o gosto e a atenção das crianças e jovens pelos ritmos, estilos e sabores que constroem uma vivência literária. Acreditamos que a leitura de dois, três ou mais títulos in(tro)duz o diálogo e a análise comparativa entre autores e suas obras — pois, quando escrevem e ilustram sobre um mesmo assunto,
Bem sabemos como a prática didática tem alimentado o hábito de extrair dos livros um tema para ser trabalhado em sala de aula. Isso é o que muitos especialistas não se cansam de reportar: é a utilização da literatura infantil como pretexto de lições escolares — e também o que mais cansa e desencanta muitos leitores. O caminho que aqui trilhamos (ou tentamos apontar) é outro: que um tema possa encaminhar a leitura dos textos literários e também de outros textos em sala de aula. Um tema pode ser introduzido a partir de uma conversa (que venha a servir ou não para o levantamento de conhecimentos prévios dos alunos), ou a partir da leitura de uma notícia curiosa ou mesmo através de outros textos e fontes de pesquisa. Um acontecimento do passado ou de nossa atualidade (que sempre implica em um conhecimento - ou sua necessidade - sobre história, ciências, geografia, cultura, etc.) pode reverberar polêmicas, dúvidas, descobertas ou novas possibilidades de interpretação dos fatos. E talvez aí esteja um gancho para a literatura, como um território de afetos e imaginação, a reinterpretar ou reinventar fatos vividos no cotidiano ou sonhados em outros tempos e espaços. Sempre é bom lembrar que a literatura prima pela diversidade e pela diferença — o olhar corriqueiro e banal pouco importa. E o olhar da literatura visa, não apenas o tema de que se inspira, mas tem toda a atenção para a linguagem, para as palavras e seus efeitos sobre a recepção leitora. |