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de seu computador.
As três obras de Eva Furnari, Eloí Elisabet Bocheco e Bartolomeu Campos de Queirós
foram aproximadas tematicamente: num primeiro olhar, descobrimos que seus personagens
estão envolvidos com algum tipo de magia: são bruxos, mágicos, feitceiras, o quê?
A partir destes exemplos, pode-se esperar que a criança seja capaz de:
descrever a cena da capa
caracterizar personagens
antecipar o conflito das narrativas
e algumas outras habilidades que você encontra [aqui]
Esta atividade me parece proveitosa até o 3º ano escolar (2ª série), abrindo uma roda de leitura compartilhada
de um dos livros. O ideal é iniciar mostrando às crianças o conjunto das três capas, de uma só vez.
Rapidamente, elas perceberão que possuem uma unidade temática comum e, a partir dos apontamentos que fizerem
espontaneamente, os professores poderão questionar quem são os personagens, como se vestem, quais seus poderes
e/ou outros atributos. Esta passagem muito breve já dá conta de estimular e verificar as duas
habilidades acima descritas.
Um próximo passo pode ser solicitar que "imaginem" qual história trazida pelos livros,
quê conflito será vivido pelas personagens, qual o tom (se é história engraçada, de suspense,
outros gêneros). Mas, cuidado: ficar apostando como será o final da narrativa, além de ser um lance
impossível, pode soar patético para a criançada. De antemão, sabemos que tudo acaba bem... quando acaba ;-)
Os títulos são peças fundamentais para esta atividade de pré-leitura dos textos literários, pois são carregados
de signifcados a serem explorados em um exercício de epilinguagem - isto é, de reflexão sobre a linguagem.
Temos dois modos de encaminhamento:
ROTA A - 1) leitura apenas da imagem da capa, que envolve habilidades de reconhecimento visual
e de descrição verbal, atenção aos detalhes e à caracterização das personagens; temos pistas para antecipar
temas e conteúdos, mas poucos ou nenhum índice que permita predizer algo das narrativas. 2) Depois, de posse
dos títulos, buscar entendê-los e formular novas hipóteses sobre a história e suas personagens.
ROTA B - ao mesmo tempo, os alunos têm acesso às capas e recebem os títulos, postos na lousa,
escritos em um cartão, ou simplesmente falados ou ditados. A atividade deve-se concentrar em relacionar um
título para cada livro, o que não deve ser muito difícil, mas abre chances de dialogar sobre as escolhas feitas.
Entra em cena outro tipo de habilidade, como saber justificar-se, a partir dos elementos textuais que dirigiram
as escolhas pessoais ou do grande grupo.
UMA SUGESTÃO Tenho em mente um grupo de crianças, com seus oito ou quase nove anos - portanto,
com muitas habilidades já dominadas em relação à aquisação da linguagem escrita. A história de Eva pode
divertir crianças mais novas e a história de Eloí, crianças mais novas ainda... Para a fase de alfabetização,
me parece interessante reproduzir as 3 capas em uma folha-tarefa e pedir que os alunos escrevam/copiem
o título que se ajusta a cada livro. Vale ditado ou lousa para passar os títulos. Depois do exercício,
uma boa roda de leitura compartilhada.
Um bruxo, um feiticeiro, um mago... mas com jeitão meio sussa demais:
astrólogo ou cientista maluco? Anéis nos anulares, óculos escuros de armação vermelha
(moderninho, hein?), a maleta presa no bico dos sapatos e um chapéu cheio de traquinas.
O bacana voa: para onde? Não dá para saber. Voa sobre morros e vales, um castelo lá longe...
Adulto quase nunca vê o sapo "metamorfoseado" nas corcovas dos montes: ele está amparado
pela moldura da capa, os olhos atentos à colher. A maleta tem janela e uma minúscula figura
agarra-se nela, como pode, para não cair.
Com esta capa, é possível trabalhar também a questão dos indicadores de suporte:
o nome da coleção Piririca da Serra, não só anuncia que o livro faz parte de uma série, traz em si um elemento de humor
para ser depreendido: pois isso é lá nome de lugar ou cidade? Rsrsrs.
Contra-feitiço, feitiço e meio Eloí Elisabet Bocheco il. Mari Ines Piekas Paulinas
A capa não possui um cenário e as personagens são facilmente identificáveis como
um bruxa do bem e outra do mal. Pode-se indagar às crianças como e por que podemos distingui-las.
Ocorre um uso bem convencional de códigos, como cores e traços faciais, bondade e maldade. Aliás,
a "mocinha" está de pé, vitoriosa com seu feitiço. Ou seria contra-feitiço?
O título do livro recupera
um ditado popular, e sempre é bom saber se todos sabem a que situações do cotiano a frase-feita se
aplica. Então, é possível antecipar parcialmente o conflito, ou seja, a intenção das personagens.
Onde tem bruxa tem fada Bartolomeu Campos Queirós il. Mario Cafiero Moderna
Menos pistas que as capas anteriores, hmmm... Uma fada, com certeza, com seus cabelos dourados e olhos azuis,
entre nuvens e estrelinhas: isso é um clichê visual. Olhando mais atentamente para a imagem, notamos um jogo
de tons claros e escuros, amarelo e ocre...
Ainda há para ser lido nessa capa, outro elemento do suporte: o selo "O Melhor para a Criança - 1979", atribuído
pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O professor deve conhecer o trabalho desenvolvido pela
instituição para poder explicar aos alunos. Qual o mérito de receber essa distinção, como é feita a escolha,
quem são as pessoas que participam desse processo de seleção? Ao observe o ano em que o Prêmio foi atribuído,
confronte-o com o número de edições. Esses indicadores atestam qualidade e apontam, muitas vezes, para um
conhecimento de mundo diferente do que os leitores habitualmente conhecem/desconhecem. Para quem adora temas
transversais, lá vai: um interlúdio para discutir questões de trabalho e consumo. É só começar a pensar:
quantas pessoas fazem livros, escrevem literatura, vivem em torno desse universo?
Retomando o fio da meada: somente o título traz alguma pista sobre a dualidade da personagem,
mas isso exige uma carga de abstração. Inicialmente, uma criança mais atraída pela fantasia, como um jogo referencial,
pode sentir-se seduzida em responder onde fica o "onde" assinalado no título, um lugar onde vivam tantos as
fadas, quanto as bruxas. Isso servirá para mobilizar o conhecimento prévio, constatar o que já se sabe,
desde sempre, com os contos populares de magia. No entanto, na capa, aparece apenas UMA personagem e isso pode
suscitar dúvidas se a bruxa e a fada não seriam uma só. Este é um ótimo ponto para iniciar a leitura da
narrativa. Vale lembrar que não é a professora que deve dar as respostas, mas a própria história
carreia o propósito de confirmar ou derrubar hipóteses e outras formulações prévias.
Ah, sim: um nova edição foi publicada, com o trabalho da ilustradora Suppa.
Diferentemente da qualidade plácida da capa de Mario Cafiero,
a nova imagem dá um ar mais sapeca e atrevido à personagem. Vale comparar!