Alfabetização e Letramento de mãos dadas em atividades de leitura e escrita
com crianças que estão aprendendo a ler e a escrever para você montar seu plano de aula!
Abaixo, meus comentários e algumas recomendações ;-)
Em outubro de 2006, participei do IX Encontro Regional do PROLER de Uberaba,
organizado por Tânia Ulhoa e as demais integrantes do comitê mineiro do
Programa Nacional de Incentivo à Leitura, com
a velha-nova oficina Da Capa para dentro do Livro...
Além das atividades que colocam os mediadores de leitura na posição do
leitor-criança, inventei de organizar uma salada de títulos para sugerir
breves atividades que podem anteceder a entrada na história, favorecendo também
a aquisição da linguagem escrita pelos mais pequeninos.
Palavras iniciais
A leitura de capa não deve representar um fim em si mesma,
pois a intenção desse tipo de atividade é promover a leitura de uma obra,
na sua totalidade, despertando a atenção dos alunos para os livros.
Trata-se de um momento de pré-leitura, em relação ao texto literário,
que mobiliza o conhecimento variado da criança sobre o tema, gêneros
narrativos, personagens, autores, etc. Por esta razão, estas estratégias
para enredar o leitor na história só funcionam realmente se a
professora ou o mediador de leitura possuir os livros em mãos — contrariamente,
torna-se apenas uma seqüência didática destituída de qualquer significado
na experiência infantil, servindo como um protocolo errôneo e banal.
Uma vez, uma aluna minha levou a idéia dessas leituras de capa, da faculdade
para a sala de educação infantil. Retornou entusiasmada porque as crianças adoraram esse tipo de atividade,
relatando que agora o que elas mais faziam era pegar livros na biblioteca, mostrar aos colegas
e pedir que adivinhassem o que contava a história. Pegavam mais de dez livros,
a cada manhã... sem jamais abrirem os livros! Enfim, imitavam a professora e
a brincadeira (pois não era outra coisa senão adivinhação gratuita) não durou
mais do que vinte dias. E a moral da história é: Tudo que é demais, sobra!
Embora apresentadas como um jogo com títulos, as atividades visam
a aprendizagem de estratégias de leitura e a verificação das habilidades
desenvolvidas pelos alunos. Trabalha-se, dessa maneira, simultaneamente
com conteúdos conceituais (como noções sobre as categorias da narrativa),
conteúdos procedimentais (usar competentemente estratégias para
produção de sentido) e conteúdos atitudinais (ler e posicionar-se
criticamente frente aos indicadores de suporte, avaliar escolhas, etc.).
Seguindo os PCNs, estas são atividades de Linguagem Escrita - Leitura
que vamos mesclar, em algumas das sugestões, com o processo de aquisição da
escrita alfabética por parte dos alunos. São também, em algumas oportunidades,
atividades de Linguagem Escrita - Produção de Textos.
Recursos materiais — Para a apresentação das capas, é possível
reproduzi-las em transparência para projeção*; OU reduzir e imprimir as capas
em uma folha-tarefa para ser entregue a cada aluno; OU ampliá-las em papel resistente, como um cartaz...
Mas, se você não conta com recursos para esse tipo de produção de materiais didáticos,
vale lembrar que: uma folha de papel dobrada, que esconda o título, também pode ajudar.
Conforme o tipo de atividade (ver mais abaixo), os títulos podem também ser apresentados de
diferentes maneiras: oralmente, escrevendo na lousa, produzindo cartões, etc.
* Você pode copiar as capas sem títulos, para reprodução
em transparência, clicando nos três conjuntos que você encontra no alto desta página,
além de encontrar informações adicionais a respeito dos níveis de dificuldade,
o que esperar das crianças e as possibilidades de leitura a partir de cada capa.
Onde foram parar os títulos?
Inicialmente, podemos expor um conjunto de capas às crianças
e deixar que comentem de modo bastante livre. É necessário saber ouvir
essas falas sobrepostas e entrecortadas de descobertas, com atenção
a tudo o que diz respeito ao tema/personagem comum aos livros,
às predições sobre o conteúdo das obras, à ausência do título.
O passo seguinte é a sistematização da "primeira leitura", realizada anteriormente de forma
imediata, espontânea e aleatória. A professora vai organizando os turnos de fala
de suas crianças, com perguntas que perfaçam um encadeamento lógico, unindo os
diversos fragmentos dos comentários. De algum modo, É necessário chegar a certos
denominadores comuns, através da negociação de sentidos que pode ser feita
entre alunos e professora, ou criança a criança.
Tudo o que se refere à predição de conteúdos dos livros (o que irá acontecer
em cada uma das histórias) não é, por ora, relevante — pois entrelaça
uma forte carga de imaginação à capacidade leitora.
Ao final, é preciso questionar a ausência dos títulos e quais seriam eles,
no caso de cada livro, em particular. OBS. Se as crianças notam a falta dos títulos,
isto é apenas uma constatação que tem, por pano de fundo, o conhecimento prévio de que todos
os livros, modernamente impressos, possuem um nome em sua capa. Se é a professora
quem precisa apontar que o título não aparece estampado, talvez, esteja ensinando algo
ou fazendo aquela criança mais desatenta acordar ;-)
Um título para cada obra
A professora ou o mediador de leitura deve dispor dos títulos para seus alunos:
esta é a única regra. Porém, as possibilidades aqui se abrem, conforme a etapa da aprendizagem
que suas crianças atravessam. Ainda elaboram hipóteses sobre o universo das palavras,
desenvolvem uma escrita silábico-alfabética, ou necessitam de um reforço para a correção ortográfica?
As atividades subseqüentes podem ser apenas (1) de leitura,
(2) leitura e cópia do título, (3) leitura e produção de texto (novo título).
Jogo com Título 1 — Com capas reproduzidas em tamanho grande e os títulos
em cartões, pedir às crianças que escolham o título apropriado para cada capa. Em grupo,
esta atividade considera a leitura coletiva e a produção/negociação de sentidos
para atribuir a cada obra, um título pertinente. A função do professor não é corrigir
as escolhas equivocadas, nem ficar apenas dando parabéns para os acertos. O que vale é
pedir que os alunos justifiquem suas escolhas, a partir da leitura que fazem da ilustração.
É possível exercitar, nesta experiência,
desde a simples verificação de correspondências palavra/imagem, bem como
recuperar elos de coerência entre o verbal e visual.
Os títulos podem ser apresentados/distribuídos, de momento a momento.
Se empregar esta metodologia, a atividade vai sendo ampliada, quanto às sucessivas revisões que as próprias crianças vão realizando
conforme recebem um novo título (que talvez venha a se encaixar melhor neste ou naquele livro,
anteriormente já batizado). Neste processo, a reformulação de hipóteses torna-se um aprendizado.
Jogo com Título 2 — Depois de mostrar as capas ampliadas,
uma folha-tarefa é distribuída para cada aluno. Na página impressa,
o enunciado do exercício solicita à criança que leia os títulos apresentados
em uma lista e os transcreva (copie) em cima das capas dos livros que "vê abaixo".
A leitura dos títulos pode ser silenciosa e a folha-tarefa servir como um diagnóstico
para a professora verificar a competência leitora de seus alunos: o processo de decodificação,
a cópia atenta, a compreensão do enunciado, à atribuição de sentido (ao juntar título e capa).
O ditado de todos os títulos é uma variação que possibilita averigüar a escrita ortográfica,
ou mesmo em uma etapa anterior de aprendizagem, as dificuldades de correspondência fonema-grafema
no momento de registro.
Jogo com Título 3 — A recolocação dos títulos nos livros é feita de modo coletivo,
mas... de repente, fica um livro sem título! Oralmente, as crianças podem dar suas sugestões
(sempre acompanhadas de alguma justificativa). Já entramos em uma atividade de leitura,
acompanhada de produção de texto, pois a elaboração de um título implica na síntese dos
vários sentidos que são recuperados pela leitura da imagem, em exercício de coerência
(parte pelo todo).
Melhor ainda se o "livro sem título" for o escolhido para a leitura compartilhada,
pois elaborações mais complexas e sugestivas podem acontecer após o conhecimento integral
da história. Neste caso e muito mais, estaremos trabalhando com a capacidade de síntese
das crianças, pois não se trata apenas da leitura da imagem da capa, mas de reduzir todo um
enredo a um título. Não se trata, porém, de uma atividade tão simples, se levamos em consideração
que o título deve ser capaz de despertar o interesse dos leitores, funcionando como um
chamariz... A linguagem e escolha lexical devem ultrapassar o limite da referencialidade
imediata, revelando uma compreensão mais elaborada (ou sutil) sobre a narrativa lida.
Se forem escolhidos e registrados títulos antes da leitura do livro, pode ser feita mais
uma atividade de revisão/mudança dos títulos apontados pelas crianças. E, após, tudo isso,
comparar o título dado pelo autor/editora. A análise que pode surgir daí diz respeito a
escolha de palavras e a ênfase que é dada a um aspecto da narrativa — investigar e inventariar
os diferentes sentidos que um título pode adquirir é realizar uma atividade de epilinguagem.
Deixo aqui três idéias para você pôr em prática. E como seria bom, se daqui a algum tempo,
eu recebesse "de volta" um relato ou o plano de aula que você empreendeu.