• Turmas agitadas do Fundamental II
  • HQ nas aulas de leitura
  • Textos literários no Ensino Médio



     Turmas Agitadas
    Trabalho com alunos do Ensino Fundamental II
    — por sinal, a turma é muito agitada. Não sei o que fazer para chamar a atenção deles e que se interessem pelas aulas. Espero sugestões.

    Mafalda S. de Brito, 41
    Várzea Grande MT
    18 Novembro 2007
    Mafalda,
    o trabalho em sala de aula pode se tornar interessante por diversos caminhos — mas, se você tem turmas grandes e agitadas, o ideal é primeiramente traçar o perfil ou fazer uma sondagem, já experimentou? Ler não é a tarefa mais apreciada por grande parte dos alunos. Porém, de modo geral, o maior problema é a falta de contato, de afinidade ou até mesmo de intimidade com os livros. Além disso, a rapidez do mundo atual faz da leitura um desafio: ler requer tempo, paciência, atenção, um "estar consigo mesmo" que o mundo virtual parece ter nos roubado. Porém, quando esse vínculo é estabelecido, através de comentários (de preferência bem articulados, curiosos ou até mesmo tragicômicos) a respeito de uma obra ou de um autor, através de leituras compartilhadas de algumas passagens do texto, de um bate papo apaixonado, enfim — é quase impossível que uma parcela da turma não venha se interessar! Lembre-se de que o gosto dos leitores é variado — e, além da leitura espontânea (sim, ela vai acontecer), você deve ter um programa a cumprir, estou certa? Não é possível apresentar um clássico se os alunos não estão preparados para isso — aí sim, a leitura corresponderá a uma atividade traumatizante. E as conhecidas avaliações escritas, os resumos e as fichas de leitura não são uma boa opção — pelo menos, nesse estágio.

    Para fazer com que a turma se envolva, com essa faixa etária, é um expediente comum o trabalho em grupos para apresentação de livros, biografias ou estilos literários. Sendo o conteúdo algo pré-estabelecido, o ideal é deixar que a forma de apresentação seja bastante livre e que os grupos possam usar&abusar da criatividade, inclusive envolvendo outras disciplinas (artes, teatro, educação fisica). Criar jornais, emissoras de rádio, maquetes, esquetes, peças, cartazes podem estimular o prazer de trabalhar com literatura. Mas cuidado para não perder o foco: a apresentação dos alunos será o resultado de um trabalho e é preciso, antes, que o professor faça sua parte. Procure estabelecer algumas metas, oriente-se com leituras teóricas e conheça o trabalho feito anteriormente com essas turmas (isso também é importante para que os mesmos erros não sejam cometidos). No site, você também encontrará comentários e artigos na Sala de Aula. Boa sorte!

    Ligia Pin
    Professora do Ensino Fundamental, Assessora Pedagógica
    e Membro do Conselho Consultivo de Dobras da Leitura



     HQ nas aulas de leitura
    Olá tudo bem? Sou professora e estou trabalhando com gibis por escolha dos meus alunos. Gostaria que vocês me dessem sugestões de como trabalhar, a metodologia, o produto final, já que minha aula é de leitura e não posso escrever. Espero uma resposta pois estou muito ansiosa. Sem mais,

    Agnólia Luca Santana
    , 38
    Pedregulho SP
    17 Abril 2007
    Agnólia,
    o processo de leitura é uma dinâmica muito viva e pode abarcar a escrita como forma de registro do que a criança apreendeu/compreendeu ou não de um texto lido. É preciso pensar quais são as expectativas e os objetivos das aulas de leitura que lhe foram atribuídas para saber se realmente, nelas, não se pode escrever. A questão é não entrar de cabeça em certas "proibições" sem justificativas...

    Embora as HQs e a literatura infantil sejam duas matérias bem diferentes, elas podem compartilhar de um mesmo tratamento didático, em algumas situações em sala de aula. Veja como Maria Alice Faria elabora a questão do livro de imagem, em Como usar a literatura infantil na sala de aula. No final do mesmo livro, há um ótimo capítulo assinado por Juvenal Zanchetta Jr. (Unesp), em que o autor mostra os perigos e as recompensas possíveis do trabalho com livros de imagem em sala de aula, relatando uma experiência com alunos do 5° ano escolar, com os quais "seria possível notar características a partir de leitores em diferentes fases, incluindo-se desde semi-alfabetizados até crianças em adiantado nível de leitura e escrita" (2004: 118).

    Outra importante contribuição para seu trabalho está no livro
    Alice que não foi ao país das maravilhas: a leitura crítica em sala de aula, da professora Marly Amarilha (UFRN) que, nos últimos anos, dedicou-se ao estudo a respeito das linguagens verbal e visual, tal como se apresentam tanto nas histórias em quadrinhos, quanto nas narrativas de literatura infantil, visando aprofundar e conhecer mais e mais as caracteríticas textuais — e também circulando pelas tramas da intertextualidade — para aclarar uma experiência divertida e compensadora na formação de leitores. (Peter)



     Leitura no Ensino Médio
    Sou professora do Ensino Médio e busco informações sobre como trabalhar textos literários em sala de aula para o ensino médio de forma prazerosa, despertando o interesse do adolescente pela leitura. Gostaria de indicações de textos teóricos que me orientasse sobre a formaçãodo leitor nessa faixa etária e o trabalho da leitura e literatura em sala de aula. No mais, obrigada.

    Jaqueline C. Bernardo
    Santa Mariana PR
    12 Março 2007

    Creio que as formas prazerozas de trabalhar a leitura no Ensino Médio obedeçam os mesmos protocolos com que podemos promover a leitura literária em outros níveis, do Fundamental à Universidade, variando o repertório de textos. Uma vez, li uma entrevista com Fátima Miguez (UFRJ) em que contava como a literatura infantil a ajudava a recuperar e formar leitores adultos. Muitas vezes, dispensei o mesmo tratamento a um soneto de Shakespeare como a um livro de imagem, a um conto de Nelson Rodrigues como ao texto de Ricardo Azevedo, à plasticidade dA flor de vidro (Murilo Rubião) como aO colar de Carolina (Cecília Meireles).

    Algumas referências podem ser encontradas em
    O texto em sala de aula, livro organizado pelo professor Wanderley Geraldi (Unicamp);
    A formação do leitor literário, de Teresa Colomer, ou ainda o livro Letramento literário, do Rildo Cosson, apresentado na Vitrine de Estudos, pela resenha da professora Flávia B. Ramos [leia aqui].

    O conceito de letramento literário, que vem se difundido nos últimos anos, permite-nos apostar que sempre é tempo para os jovens (e os não tão jovens) se descubrirem leitores efetivos de literatura. (Peter)