o trabalho em sala de aula pode se tornar interessante por diversos caminhos — mas, se você tem turmas grandes e agitadas, o ideal é primeiramente traçar o perfil ou fazer uma sondagem, já experimentou? Ler não é a tarefa mais apreciada por grande parte dos alunos. Porém, de modo geral, o maior problema é a falta de contato, de afinidade ou até mesmo de intimidade com os livros. Além disso, a rapidez do mundo atual faz da leitura um desafio: ler requer tempo, paciência, atenção, um "estar consigo mesmo" que o mundo virtual parece ter nos roubado. Porém, quando esse vínculo é estabelecido, através de comentários (de preferência bem articulados, curiosos ou até mesmo tragicômicos) a respeito de uma obra ou de um autor, através de leituras compartilhadas de algumas passagens do texto, de um bate papo apaixonado, enfim — é quase impossível que uma parcela da turma não venha se interessar! Lembre-se de que o gosto dos leitores é variado — e, além da leitura espontânea (sim, ela vai acontecer), você deve ter um programa a cumprir, estou certa? Não é possível apresentar um clássico se os alunos não estão preparados para isso — aí sim, a leitura corresponderá a uma atividade traumatizante. E as conhecidas avaliações escritas, os resumos e as fichas de leitura não são uma boa opção — pelo menos, nesse estágio. Para fazer com que a turma se envolva, com essa faixa etária, é um expediente comum o trabalho em grupos para apresentação de livros, biografias ou estilos literários. Sendo o conteúdo algo pré-estabelecido, o ideal é deixar que a forma de apresentação seja bastante livre e que os grupos possam usar&abusar da criatividade, inclusive envolvendo outras disciplinas (artes, teatro, educação fisica). Criar jornais, emissoras de rádio, maquetes, esquetes, peças, cartazes podem estimular o prazer de trabalhar com literatura. Mas cuidado para não perder o foco: a apresentação dos alunos será o resultado de um trabalho e é preciso, antes, que o professor faça sua parte. Procure estabelecer algumas metas, oriente-se com leituras teóricas e conheça o trabalho feito anteriormente com essas turmas (isso também é importante para que os mesmos erros não sejam cometidos). No site, você também encontrará comentários e artigos na Sala de Aula. Boa sorte! Ligia Pin Professora do Ensino Fundamental, Assessora Pedagógica e Membro do Conselho Consultivo de Dobras da Leitura
o processo de leitura é uma dinâmica muito viva e pode abarcar a escrita como forma de registro do que a criança apreendeu/compreendeu ou não de um texto lido. É preciso pensar quais são as expectativas e os objetivos das aulas de leitura que lhe foram atribuídas para saber se realmente, nelas, não se pode escrever. A questão é não entrar de cabeça em certas "proibições" sem justificativas...
Outra importante contribuição para seu trabalho está no livro Alice que não foi ao país das maravilhas: a leitura crítica em sala de aula, da professora Marly Amarilha (UFRN) que, nos últimos anos, dedicou-se ao estudo a respeito das linguagens verbal e visual, tal como se apresentam tanto nas histórias em quadrinhos, quanto nas narrativas de literatura infantil, visando aprofundar e conhecer mais e mais as caracteríticas textuais — e também circulando pelas tramas da intertextualidade — para aclarar uma experiência divertida e compensadora na formação de leitores. (Peter)
Creio que as formas prazerozas de trabalhar a leitura no Ensino Médio obedeçam os mesmos protocolos com que podemos promover a leitura literária em outros níveis, do Fundamental à Universidade, variando o repertório de textos. Uma vez, li uma entrevista com Fátima Miguez (UFRJ) em que contava como a literatura infantil a ajudava a recuperar e formar leitores adultos. Muitas vezes, dispensei o mesmo tratamento a um soneto de Shakespeare como a um livro de imagem, a um conto de Nelson Rodrigues como ao texto de Ricardo Azevedo, à plasticidade dA flor de vidro (Murilo Rubião) como aO colar de Carolina (Cecília Meireles).
O texto em sala de aula, livro organizado pelo professor Wanderley Geraldi (Unicamp); A formação do leitor literário, de Teresa Colomer, ou ainda o livro Letramento literário, do Rildo Cosson, apresentado na Vitrine de Estudos, pela resenha da professora Flávia B. Ramos [leia aqui]. O conceito de letramento literário, que vem se difundido nos últimos anos, permite-nos apostar que sempre é tempo para os jovens (e os não tão jovens) se descubrirem leitores efetivos de literatura. (Peter) |