foto: joão lin
Rosinha Campos





rosinha campos

Sou arquiteta de formação, trabalhei vários anos em arquitetura, chegando inclusive a ter um escritório junto com uma amiga. Até que me apaixonei por literatura infantil e juvenil. Fiz um curso com um psicólogo que trabalha com seus clientes com a LIJ e fui estudar desenho, que era uma linguagem que eu gostava muito, desde pequena. Meu filhos eram pequenos e coletei as músicas que cantavam na escola e que eu não conhecia, assim como a maioria das mães, com a intenção de fazer algumas ilustrações para a escola reproduzir para as mães. Uma amiga viu e mostrou a uma editora daqui do Recife, a Bagaço, que gostou e publicou. Depois desse ilustrei uma trilogia de um autor do Recife que trabalha com teatro e tinha umas peças que faziam muito sucesso (fazem até hoje), que são as três principais festas contadas através de personagens da nossa cultura (O baile do menino Deus, Arlequim e Bandeira de São João). Passei então a freqüentar as bienais e feiras, mas insegura para fazer contato com as editoras. Conheci a Fundação e me tornei votante (por 6 anos). Em paralelo fiz uma especialização em LIJ, com monografia sobre Roger Mello, estudei 5 anos com um artista japonês (figura humana e arte contemporânea) e fiz um curso de 4 anos de astrologia (e um pouco de mitologia). Trabalho há uns 6 anos com o Centro Luiz Freire, uma ONG que trabalha com Educação, Comunicação e Direitos Humanos, especificamente com Leitura (um ano fixo e os demais como prestadora de serviço). E há uns 8 anos toco alfaia no Maracatu Nação Pernambuco, durante o carnaval. Fui vice-presidente de um maracatu só de mulheres, por um ano, o Badia, e sou profundamente apaixonada pela cultura pernambucana (as danças, as músicas, o artesanato, a culinária, a literatura) e sempre que posso incluo em meus trabalhos, seja de ilustração, seja de leitura. Atualmente trabalho com ilustração, formação de leitores e artes plásticas. Dentro disso, coordeno a área de oficinas de literatura do Festival de Inverno de Garanhuns e o Projeto Arte na Ilha, em Fernando de Noronha.

Tenho três filhos (11, 13 e 14 anos), trabalho em casa na maioria do tempo. Nasci no Recife, mas moro há 5 anos em um sítio, que é um condomínio de casas na área rural de Olinda, onde construí minha casa há 2 anos. Sou a filha mais nova, tenho dois irmãos e aprendi a amar o Recife e nossa cultura com minha mãe (que aliás é uma super dançarina de forró e coco). Com meu pai aprendi a amar os livros. Ele tinha uma imensa biblioteca que eu cuidava, arrumando, encadernando e fazendo marcadores para os livros. Papai lia muita poesia para mim. Castro Alves, Catulo da Paixão Cearense, Patativa do Assaré e contava várias histórias. Principalmente sobre o golpe de 63 (ele foi preso político) e Lampião. Ele tinha uma imensa admiração por Lampião. Acho que o achava um tanto revolucionário. Lampião realmente é uma presença muito forte no nosso imaginário e nos nossos costumes. Engraçado é que mesmo com toda consciência das atrocidades que cometia é impossível para nós não o admirarmos e sentirmos uma certa paixão. É meio que Robin Wood mesmo. Apesar de não ser. Para mim o que fica de mais forte na imagem dele é a questão da palavra. Não sei se ainda é uma característica do nordestino em geral, acho até que nem é mais, mas para mim a palavra empenhada é lei, e fico confusa quando preciso lidar com quem não cumpre o que diz. O que Lampião prometia ele fazia (no caso dele, para o bem ou para o mal). Esqueci de falar que também já fiz figurino e adereço para teatro e balé, e às vezes para o carnaval. Vim notar algumas coisas agora, depois que comecei a ilustrar Lampião. Fiz vários chapéus para o carnaval com forma dos chapéus dos cangaceiros, só que com purpurina e fitas coloridas. Só consigo usar minha bolsa atravessada no corpo, como um embornal, minha sandália preferida (tenho duas iguais) são de couro trançado, bem típica do pessoal do interior. Quando assisti Baile Perfumado lembrei do meu avô, que usava a sandália igual a que Lampião está usando no filme e suas roupas eram, ou de linho branco, ou de mesclinha azul, como as dos personagens. Tem sido muito curioso ver de onde vem nossos costumes. Fora as danças, a comida, a linguagem. Meu pai nos chamava muito de “cabra” e aos outros de “cabra da peste”. Quando tinha por volta de uns 8 a 10 anos lembro da visita de Dadá em nossa casa. Não sei sobre o que conversavam, mas papai estava muito ansioso e muito feliz com essa visita. Perguntando a mamãe foi que ela descobriu com uma amiga que estudou com ele que a visita se deu porque na época estudava Administração de Empresas e seu professor, Marcos Freire, convidou Dada para falar sobre a organização dentro do cangaço. E aí papai estendeu o convite à nossa casa. Me lembro pouco dela, apenas de ser uma mulher volumosa, mas principalmente da ansiedade de meu pai que se sentia honrado com aquela presença.


Rosinha Campos. I am an architect and once had, together with a friend, a business in that matter. Until I was seduced by the literature for children. I took up a course, with a psychologist that works with his clients with the LIJ (Child and Juvenile Books) and started studying drawing, which was a language that I liked very much, since I was a child. My sons were still small and I started collecting the songs that they used to sing at school and that I didn´t know of, as well as the majority of the other mothers, with the intention of doing some illustrations to the school to reproduce to the mothers. A friend of mine saw the illustrations and showed them to a publishing house here in Recife, named Bagaço, that liked it and had it published. After that, a have illustrated a trilogy of an author from Recife that works with theater and had a few successful plays (that still are to this day), the plots of the plays are the three main celebrations narrated by the characters of the Pernambuco culture (O baile do menino Deus, Arlequim e Bandeira de São João). I got to know the the Child and Juvenile Books Foundation (FLIJ) and became a voting member (for 6 years). Meanwhile, I took up an specialization course in literature for children and juveniles, with a monograph that dealt with the work of Roger Mello. I studied 5 years with a japanese artist (human figure and contemporary art) and had a 4 years course in Astrology (with a little bit of Mythology). I have been working, for about 6 years, with a non governamental organization, The Luiz Freire Center, that deals with Education, Communication and Human Rights, specifically with reading (one year as a member and the others on demand). And for more or less 8 years I play alfaia (a musical instrument) with a group called Maracatu Nação Pernambuco (maracatu is a popular kind of dance and song, or the group that plays this type of music), during the mardi gras. I was vice-president of a maracatu for women only , during one year, called Badia and I am deeply in love with the culture of Pernambuco (the dance, the songs, the workmanship, the cuisine, the literature…) and when possible I include them in my works, be it in illustrations or in readings. Currently I am working with Illustration, on the formation of readers and with plastic arts. For that matter I co-ordinate the literature workshop of the Garanhuns Winter Festival and the Fernando de Noronha Island´s Art Project.
rosinha@recife.net