RAMOS, Flávia Brocchetto.
Leitura do livro de poesia infantil brasileira: a gangorra entre a obra e a criança. Porto Alegre, 2001. Tese (Doutorado em Lingüística e Letras) PUC-RS, 2001.
Resumo
Como toda obra literária contém em si uma imagem de leitor, esta pesquisa propõe-se a investigar o modo como se constrói o leitor implícito da poesia infantil brasileira, enfocando quatro livros: Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles, A arca de Noé, de Vinícius de Moraes, Um passarinho me contou, de José Paulo Paes e A árvore que dava sorvete, de Sérgio Capparelli. O estudo, composto por três capítulos, inicia com a revisão bibliográfica centrada na criança, como receptor das obras. O primeiro capítulo, dividido em duas partes, atém-se, através de um olhar cognitivista e social, à criança, como sujeito apto a interagir como as obras. A seguir enfoca-se o texto literário e as possíveis relações estabelecidas com seu destinatário, pela presença de procedimentos textuais que prevêem um leitor implícito, a partir de estudos de Wolfgang Iser. Assim, o segundo capítulo aplica uma matriz, elaborada a partir do referencial teórico, e analisa, especialmente, doze poemas (sem perder o conjunto das publicações), destacando o modo como as obras constituem o seu receptor, para, a seguir, no terceiro, sistematizar as estratégias encontradas, a fim de averiguar por que os livros se mostram aos leitores como brinquedos e que tipos de jogos se efetivam no universo lúdico proposto. De posse das informações levantadas na análise, através da interação entre a linguagem visual e a verbal, e dos procedimentos empregados na constituição das obras, constata-se que o livro de poesia infantil referenda aspectos que direcionam os textos para a criança, independente do código empregado (visual e verbal). Tais procedimentos podem ser classificados em três categorias. O primeiro refere-se ao fato de que a compreensão dos textos efetiva-se por meio da representação de situações concretas, através de procedimentos discursivos que levam em conta o modo como a criança apreende o meio. Outra marca sinaliza o dinamismo dos textos, seja pelos temas selecionados, seja pelo modo como eles são articulados. Por último, destaca-se a representação do repertório da criança, tanto pela seleção dos temas, como pelos procedimento empregados na situação enunciativa. Os indicadores presentes na poesia infantil brasileira também estão presentes no jogo, enfocando o livro como uma brincadeira para a criança. Mesmo que os textos sejam mais reflexivos, encontra-se o jogo, formado pela repetição de palavras que orienta o interlocutor na sua concretização.
Palavras-chave
poesia infantil
leitor implícito
livro infantil
jogo
Orientador
Vera Teixeira de Aguiar

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Contato com a autora
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Ver também »
RAMOS, Flávia Brocchetto. A representação da infância na narrativa infantil brasileira: 1919-1976. Porto Alegre, 1994. Dissertação (Mestrado em Letras) PUC-RS.
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