NÓBREGA, Marlene Assunção de.
A oralidade no texto escrito infanto-juvenil: o paradidático ficcional. São Paulo, 2001. Dissertação (Mestrado em Letras: Filologia e Língua Portuguesa) USP, 2001.
Resumo
A dissertação apresenta, primeiramente, um histórico da evolução dos textos infanto-juvenis, que revela a tradição popular desse tipo de literatura, baseada no relato oral que, ao ser textualizado na língua escrita, procura preservar essa tradição, por meio da representação do oral no escrito. Para comprovar o sucesso dos livros infanto-juvenis (paradidático ficcional) junto ao jovem público leitor, justificando-se a importância do trabalho, foram apresentados alguns dados que demonstram que o gosto pela leitura desses textos se deve, sobretudo, aos aspectos da oralidade neles contida. Para verificação da hipótese, foi escolhido um corpus, Em cima do ringue, que é um texto infanto-juvenil, cujo tema se presta a facilitar a incorporação de aspectos da oralidade na escrita. Após a contextualização do autor e sua obra, são apresentados os pressupostos teóricos que fundamentam a pesquisa e a análise do texto. Esses pressupostos teóricos procuram enfocar os elementos que estão presentes na oralidade reproduzida no corpus e enfatizam o estilo do autor que, por trás do narrador, transita do nível popular ao culto, ressaltando, de acordo com o texto, os elementos da língua popular falada. Na análise, buscou-se evidenciar os fenômenos lingüísticos da oralidade que estão presentes no relato do narrador e, sobretudo, no discurso dos personagens: a gíria, o baixo-calão, expressões fixas, o termo técnico popular, a linguagem figurada, um tópico morfo-semântico e outros de natureza popular. Entretanto, ao lado desses fenômenos lingüísticos populares, há aqueles de cunho mais culto que aparecem numa seleção lexical que o autor narrador fez, talvez propositalmente, a fim de introduzir o jovem em futuras leituras de elaboração mais complexa. Na conclusão, retomou-se cada item analisado, buscando-se fazer reflexões sobre a oralidade em confronto com a escrita. Essa oposição entre essas duas modalidades não deve ser polemizada, pois elas se interpenetram e se complementam, resultando, no caso do corpus, um texto escrito em que os fenômenos da fala e da escrita estão conciliados na linguagem elaborada pelo escritor que contribui, assim, para a aquisição e o gosto da leitura.
Palavras-chave
oralidade
língua falada
língua escrita
texto infanto-juvenil
Orientador
Hudinilson Urbano

Membros da Banca
xxx
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Financiamento —
Comentários adicionais
Obra trabalhada na dissertação:
Em cima do ringue, de Henrique Felix (Atual, 1996)
U9
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