SALEH, Pascoalina Bailon de Oliveira.
Narrativas infantis sobre experiências vividas: uma questão de representação? Campinas SP, 2000. Tese (Doutorado em Lingüística) UNICAMP, 2000.
Resumo
De uma maneira geral, os estudos sobre a aquisição de narrativas adotam modelos descritivos que atrelam o relato à fidelidade ao vivido e a ficção à imaginação. Neste trabalho buscamos uma alternativa a essa perspectiva representacionista da linguagem, pois, para nós, a relação do sujeito com o mundo e com suas experiências só pode se dar via linguagem; mais que isso, o funcionamento da linguagem determina essa relação. Dessa forma, procuramos desenvolver a idéia de que a narrativa infantil deve ser pensada em termos dos efeitos que elas produzem, ou seja, efeito de referencialidade ou de ficcionalidade. Para tanto, discutimos o papel da linguagem na criação desses efeitos bem como sobre a natureza da relação entre relato e experiência vivida na aquisição da linguagem. No âmbito da aquisição, adotamos como suporte teórico o interacionismo em sua versão mais radical, em que o outro é concebido como instância de funcionamento da língua constituída. Inspirada na releitura do estruturalismo europeu, a referida proposta toma os modos de funcionamento da linguagem - os processos matafóricos e metonímicos - como os mecanismos responsáveis pela mudança na aquisição. Ou seja, nessa perspectiva as hipóteses sobre a aquisição são fundadas em hipóteses sobre o funcionamento da linguagem, constituindo-se, portanto, em uma alternativa às hipóteses que se mantêm presas ao social e/ou ao psicológico. Além disso, tal forma de pensar a linguagem implica o rompimento com a idéia de que a referencialidade da linguagem resulta de uma correspondência do enunciado com as coisas do mundo. As reflexões de Freud sobre a lembrança e o esquecimento, questões fundamentais para a narrativa, levou-o à conclusão de que ambos obedecem os mesmos mecanismos do funcionamento da linguagem, ou seja, a condensação e o deslocamento. Jakobson aproximou estas noções daquelas de metáfora e metonímia e, posteriormente, Laca estabeleceria que os processos metafóricos e metonímicos são as leis não só da linguagem mas também do inconsciente. Tendo como po nto de ancoragem a relação desses processos com os registros que, segundo Lacan, constituem o homem - o real, o simbólico e o imaginário - procuramos formular uma hipótese no que concerne aos efeitos da narrativa infantil. Assim, defendemos que a distinção entre relato e ficção resulta do trabalho do simbólico e do imaginário sobre o sujeito. A interpretação, a partir da qual a fala da criança ganha sentido, resulta da tensão entre identificação, da ordem do imaginário, e estranhamento, promovido pelo simbólico, estabelecendo-se, desse modo, uma singular relação da criança com a língua. Diante disso, com a análise de dados visamos mostrar a narrativa como espaço de manifestação da relação da criança com a linguagem e com a experiência por ela vivida.
Palavras-chave
a
Orientador
Maria Fausta Cajahyba Pereira de Castro

Membros da Banca
xxx
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Sem Financiamento —
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