AZEVEDO, Ricardo.
Como o ar não tem cor, se o céu é azul? Vestígios dos contos populares na literatura infantil. São Paulo, 1998. Dissertação (Mestrado em Letras - Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa) - FFLCH/USP, 1998.
Resumo
A pesquisa teve como principal objetivo, em resumo, apontar uma série bastante palpável de elos existentes entre a chamada literatura infantil e diversas manifestações tradicionais populares, particularmente os contos, também chamados de encantamento, contos de fadas ou maravilhosos. O trabalho foi desenvolvido em quatro etapas.

Num primeiro momento, recorrendo a estudiosos, por vezes antagônicos, como E. Cassirer, M. Eliade, Ad. Jensen e C. Lévi-Strauss, tentou-se identificar e descrever algumas características gerais peculiares às narrativas míticas, aquelas narrativas religiosas típicas dos povos considerados arcaicos. Neste momento, buscou-se compreender certos pressupostos do pensamento "primitivo".

Na segunda etapa, apoiada em estudiosos díspares como A. Jolles, M. Bakhtin, P. Burke e Paul Zumthor, procurou-se identificar possíveis marcas das narrativas míticas, anteriormente estudadas, nas expressões populares, adivinhas, ditados, lendas e, particularmente, contos tradicionais. Neste momento, graças aos estudos de Zumthor, foi possível apontar quais seriam os principais índices da oralidade. Identificou-se, portanto, tanto no plano do conteúdo como no da expressão uma série de características peculiares aos referidos contos (temas recorrentes expressos de uma certa forma).

A partir daí, nas etapas seguintes da pesquisa, faz-se uma comparação entre as narrativas orais e diversas obras significativas da literatura para crianças. Foi fundamental para o desenvolvimento desta etapa da pesquisa, o trabalho da escritora portuguesa Ana de Castro Osório. Graças ao estudo de sua obra para crianças, desenvolvida no princípio do século, foi possível diferenciar as obras de cunho literário-didático moralista, as chamadas obras paradidáticas até hoje em voga e muitas vezes confundidas com a literatura, da literatura infantil propriamente dita, a meu ver, gênero profundamente marcado pelas mais arcaicas tradições populares.
Palavras-chave
mito
conto popular
literatura infantil
Orientador
Lúcia Pimentel Góes

Membros da Banca
Nelly Novaes Coelho
Jerusa Pires Ferreira
Financiamento — Fapesp
Contato com o autor
www.ricardoazevedo.com.br

Parágrafo inicial extraído do Resumo
Em março de 1998, apresentei ao DLCV da FFLCH-USP, área de Estudos Comparados das Literaturas de Língua Portuguesa, dissertação de mestrado feita sob orientação da Profª. Lúcia Sampaio Góes com o título Como o ar não tem cor, se o céu é azul? Vestígios dos contos populares na literatura infantil. O trabalho apresentado à banca formada pela Profª. Nelly Novaes Coelho e Jerusa Pires Ferreira foi aprovado com distinção.
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