BREVES, Maria Tereza Pereira.
O livro-de-imagem: um (pré)texto para contar histórias. São Carlos, 1996. Dissertação (Mestrado em Educação) UFSCar, 1996.
Resumo
Que contribuição a "leitura" do texto visual poderia dar ao desenvolvimento da oralidade da criança? Por se apresentarem sob a forma de NARRATIVA, as imagens nesses livros facilitam a ORDENAÇÃO DO PENSAMENTO da criança? Como são empregadas pela criança as noções de espaço e tempo? As crianças conseguirão perceber os principais componentes seqüênciais de uma narrativa (início, meio e fim) a partir da leitura desses livros?

Pretendo, através desta pesquisa, refletir, analisar e explicar teoricamente, diversas situações de uma prática educativa respaldada no núcleo teórico da teoria de Vygotsky, por ele defender um estudo inter-reelacionado e não reducionista das funções e processos psicológicos. Isso motivou-me a aprofundar o significado do termo 'interação' e compreender a sua importância no processo de construção da leitura e da escrita. Adoto, nesta pesquisa, uma experiência diferenciada de leitura - a leitura do texto visual -, fundamentada no pressuposto de que a linguagem da imagem antecede a linguagem da palavra escrita. Busquei ser coerente na escolha da classe, ou seja, os sujeitos da pesquisa são crianças de 4,6 de idade, fase em que a leitura e a escrita não são ainda consideradas como tarefa da escola. Tendo como base a Semiótica, texto é uma seqüência de imagens, que se torna um pretexto para a construção de histórias. E a leitura do texto visual é vista não como a decifração de uma mensagem 'refletida' na imagem, mas como a construção de sentidos pelo leitor: a busca da coerência.
Palavras-chave
texto
imagem
leitura
Orientador
Eglê Pontes Franchi

Membros da Banca
xxx
xxx
Financiamento — Capes + Outros
Comentários adicionais

[...] Maria Tereza Breves concebe O livro-de-imagem: um (pré)texto para contar histórias (UFSCar, 1996), aliando a aplicação didática, questionamentos da psicologia do aprendizagem e o uso instrucional da literatura nos cenários de educação formal ou informal (pré-escola). No resumo de sua tese, a autora indaga: “Que contribuição a ‘leitura’ do texto visual poderia dar ao desenvolvimento da oralidade da criança? Por se apresentarem sob a forma de narrativa, as imagens nesses livros facilitam a ordenação do pensamento da criança?” Embora com certas objeções às perguntas iniciais de seu trabalho, que denunciam a domesticação do estético rumo a uma finalidade imediata, o percurso adotado por essa pesquisadora denota inteira coerência na escolha do núcleo teórico de Vygotsky, no aprofundamento dos conceitos basilares do interacionismo e na compreensão de que a leitura é um processo de construção de sentidos e não simplesmente a decifração de um significado pré-estabelecido e dado pelo texto, sem a intervenção da criatividade ou de uma análise minuciosa dos elementos enriquecedores para a efabulação, via leitura (sem aspas e sem outra conotação), dos livros de imagem.

[...] Nos programas de pós em Educação, a contribuição de Maria Tereza Breves multiplica a aceitação do livro de imagem no contexto de aprendizagem, especialmente de educação infantil, e na tarefa de granjear os pequenos leitores rumo ao universo da narrativa ficcional. A dissertação original (UFSCar, 1996) parece verdadeiramente repetir-se em outras propostas de pesquisa, não fosse o recorte etnográfico o elemento diferenciador — ou mesmo certas divergências entre conceitos e pressupostos teóricos. Assim podemos citar Helenita Assunção Nakamura, em A imagem na formação do leitor: um processo dialógico texto-ilustração na literatura no contexto escolar (UFRN, 2000); Mara Rosângela Ferraro, em O livro de imagens e as múltiplas leituras que a criança faz do seu texto visual (Unicamp, 2001); Neiva Panozzo, com Literatura infantil: uma abordagem das qualidades sensíveis e inteligíveis da leitura imagética na escola (UFRGS, 2001). Embora todo o investimento sobre o livro de imagens, a possibilidade de leitura é considerada como prática ainda distante ou fora da rotina na educação básica — o que implica em argumentos que busquem evidenciar a natureza verbal em tramas puramente visuais. À guisa de conclusão, as pesquisadoras chegam à constatação daquilo que deveria ser sabido de antemão: de que as qualidades plásticas organizam sistemas de idéias, significação e linguagem.

In: SAGAE, Peter O'. Palavra&Imagem: estudos com paisagem ao fundo (2006) — Dobras da Leitura 30.
Projeto Livro de Areia © 2007 Dobras da Leitura