a literatura infantil e juvenil em teses e dissertações brasileiras O Projeto Livro de Areia - Dobras da Leitura compreende um banco de dados a respeito de pesquisas acadêmicas que envolvem direta ou indiretamente a literatura infanto-juvenil, realizadas em universidades brasileiras. Esse conjunto de referências abarca, até o momento, 485 registros contendo informações sobre dissertações e teses defendidas a partir de 1970, de modo bastante incompleto, apesar dos esforços em compilar dados através dos espaços virtuais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior — Capes (270 títulos) e dos programas de pós-graduação do ensino público em universidades federais, estaduais, municipais, comunitárias e do sistema particular, durante o ano de 2003. objetivos
metas Com a participação de outros pesquisadores e interessados na investigação sobre literatura infantil e juvenil:
justificativa O estudo da literatura infantil e juvenil, em mais de 30 anos de sistematização, compreende um intrincado campo de comentários, comprovações, descobertas, sugestões e pressupostos teóricos, originários ou importados às diversas áreas do conhecimento acadêmico como Letras (Literatura, Lingüística), Sociologia, História, Educação, Comunicação, Psicologia, entre outras. Dada a falta de contato entre pesquisadores, a pouca divulgação dos estudos e a propagação quase nenhuma dos trabalhos acadêmicos, muitos candidatos a uma vaga de pós-graduação (e mesmo aqueles que ingressam neste âmbito) não têm conseguido aprofundar a investigação sobre seu tema, o objeto de análise e a crítica afim já produzida. Com andanças às cegas, o mesmo caminho é palmilhado mais de uma vez, sem a visão de uma nova paisagem. Isto significa lembrar que, fora da investigação de cada pesquisador e suas vitórias pessoais, o conhecimento coletivo sobre literatura infantil e juvenil sofre o constrangimento de repetir antigas/velhas formulações... É evidente que todos se ocupam em empreender um caratér inédito em seus trabalhos. No entanto, a carência de ferramentas globais e a prolixidade de informações dos últimos anos têm dificultado o trabalho de orientadores e o intercâmbio intelectual entre aqueles que iniciam seu processo de pesquisa. Desta maneira, ao iniciar o compartilhamento de arquivos, através do Projeto Livro de Areia - Dobras da Leitura, buscamos uma alternativa de acessar referências que alivie o desconhecimento do passado e ilumine trabalhos futuros. histórico do projeto A fim de compreender as diferentes conexões teóricas para o estudo da literatura infantil e juvenil, foi necessário mapear o cenário de sua meta-produção (leitura e crítica), aventurando-se pela dispersão de comentários que buscam a legitimação literária dos diversos textos endereçados a crianças e jovens leitores. Essa investigação buscou apurar os limites da teoria e da crítica especializada, questionando a necessidade, ou não, de novas formulações, modelos e abordagens frente à produção contemporânea. Além de uma extensa bibliografia, contendo 126 títulos sobre literatura infantil e juvenil, publicados entre 1951 e 2003, fora feita a compilação de 470 registros sobre teses e dissertações centradas em enfoques teóricos, descrição/classificação, análise e reflexão, aplicações práticas etc., de natureza das mais diversas. O conjunto dessas informações a respeito das pesquisas acadêmicas brasileiras, produzidas desde 1970, arranjou-se, para uso pessoal, entre arquivos de edição de texto, tabelas, planilhas, até chegar a forma móvel da linguagem html, que permitiria recuperar as conexões teóricas e a migração de saberes que nos interessava observar. histórico das pesquisas Em termos quantitativos, observou-se com facilidade o crescente interesse que o objeto de estudo ‘literatura infantil e juvenil’ tem despertado entre os pesquisadores brasileiros. Basta verificar inicialmente que apenas 12 títulos documentam o início das investigações, durante a década de 1970, de maneira bastante pontual e isolada na UFRJ, UFRGS, USP, PUC-RS e FVG. Mas, a partir dos anos de 1980, tais estudos experimentariam o primeiro processo de aceleração e expansão, sendo desenvolvidas pesquisa na UFF, UnB, UFMG, UFPb, UFSC, UNEB, Unesp, Unicamp, PUCCAMP, PUC-Rio e PUC-SP, ao mesmo tempo em que uma maciça bibliografia de caráter técnico e/ou crítico-teórico vai sendo produzida e disponibilizada no mercado editorial: na mesma década, mais de cinqüenta publicações aparecem, assinadas por pesquisadores acadêmicos como Eliana Yunnes, Edmir Perroti, Ezequiel Theodoro da Silva, Fúlvia Rosemberg, Lígia Cadermatori, Glória Pondé, Lúcia Pimentel Góes, Maria Antonieta Antunes Cunha, Maria da Glória Bordini, Maria Helena Martins, Maria José Palo, Maria Rosa Duarte de Oliveira, Maria Thereza Fraga Rocco, Marisa Lajolo, Nelly Novaes Coelho, Regina Zilberman, Sônia Salomão Khéde, entre outros, os mais conhecidos pela divulgação e crítica da produção literária para crianças e jovens. Esta é a época do chamado BOOM da literatura infantil e, não deixa de ser, da mesma maneira, da explosão da meta-produção literária em diversos canais sociais. A última década do milênio trouxe, então, o amadurecimento de diversas linhas de investigação, apresentando o índice médio de 24,9 defesas de teses e/ou dissertações a cada ano. Grupos de trabalho e núcleos de pesquisa tomam corpo em várias universidades, paralelamente à profusão de congressos, seminários e conferências, em muitas regiões brasileiras, como pontos de encontro entre pesquisadores e o professorado em geral. Nesta década de 1990, novas defesas acontecem na UFAL, UFAM, UFBA, UFC, UFES, UFG, UFJF, UFMS, UFMT, UFPA, UFPE, UFPI, UFPR, UFRN, UFS, UFSCar, UFSM, UFU; UEL, UERJ, PUC-MG, UMESP e UNIJUÍ. Há que se lembrar ainda que a Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, fortaleceu a demanda pela titulação mínima, nível mestrado, para o exercício do magistério superior, com o aumento da criação de cursos e de concessões para o funcionamento de novas instituições particulares de terceiro grau, impulsionando assim a criação de áreas de pesquisa e maior oferta de vagas em programas de pós-graduação, nas universidades públicas. Dentre outras mudanças, o regime dos programas oficiais para a titulação sofreu diminuição em seus prazos: se o tempo estipulado, entre o ingresso e a defesa para obtenção do título de mestre, permitia cinco anos de créditos em pesquisa, na nova situação, passou a vigorar o prazo máximo de três anos e meio. Dessa maneira, o que se viu, no ano de 2001, foi um pico de 72 defesas como uma desembocadura para orientandos ingressos entre o segundo semestre de 1996 (regime de cinco anos) e 1998 (implantação do novo prazo). No entanto, qualquer análise prospectiva referente à década em que vivemos não deve empolgar-se com o número de defesas registrado em 2001: acreditamos que a tendência seja a manutenção de um equilíbrio em torno de 40 defesas. Em mais de trinta anos de investigação, o que temos é um variegado painel de descobertas e comentários críticos, por vezes, curiosos, que propõe e re-propõe questões sobre a função e a estética do texto para crianças e jovens, suas especificidades e relações com o especial destinatário. Salutar para o debate, as visadas proliferam. E também se dispersam. Nuncantes talvez fora tão difícil, e mesmo desolador, considerar essa literatura especial, em sua totalidade e traços característicos, quanto agora, face aos desdobramentos da criação literária e da meta-produção acadêmica — que engendram, a um só tempo, ricas articulações de linguagem, conceitos, e opiniões não unânimes. Observar, analisar e avaliar cada contribuição, parece-me, por ora, uma tarefa necessária — caso não seja, por particular engano, uma atividade de ócio retórico. estratégia da ação
resultados A partir do material compilado, realizamos um seminário sobre as diferentes perspectivas de pesquisa sobre litertura infantil e juvenil, junto à disciplina Níveis de leitura intertextual enquanto autoria e recepção em obras literárias de língua portuguesa: da criança ao adulto (FFLCH/USP, 2003) e foram produzidas duas monografias, A crítica universitária e a literatura infantil e juvenil na década de 1970 (FFLCH/USP, 2004) e Palavras e imagens na Literatura para crianças e jovens leitores (ECA/USP, 2005), além do extrato Palavra&imagem: estudos com paisagem ao fundo (Dobras da Leitura 30, fev. 2006). A síntese desses estudos será apresentada, oportunamente, na primeira parte da tese de Doutorado. ilustração do site Montagem a partir da obra Book blanket, de Quint Buchholz, e de uma fotografia de dunas de areia de Hong-Gia La Phu Son, Minsk. |
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