Leituras&Leitores
Comer livros*
“Mãe de quatro filhos, também apaixonada por livros, nunca induzi nenhum à leitura, mas como não como e sim devoro livros, devoro no bom sentido, mergulho, engulo, me envolvo e leio muito, os meus quatro filhos são leitores por opção. O mais velho, atualmente com 10 anos, lê ficção e aventura, livros grossos. Possui carteirinha de duas bibliotecas e é freqüentador assíduo das duas. Na época de sua alfabetização, primeiro aprendeu a ler e depois a escrever. Até hoje tem preguiça de escrever, mas sempre se interessou por livros, jornais, notícias e leituras diversas. A menina de 7 anos é admirada pelas professoras e amigas de escola. Freqüenta a biblioteca, inclusive estimula seus amigos a irem lá também. Faz empréstimos de livros quase todos os dias e lê muito bem desde os 5 anos e meio. Nas férias de janeiro me pediu um livro de terror – literatura infanto-juvenil – livro recomendado para crianças mais velhas. Comprei, leu todinho e me contou a história inteirinha (sinceramente, pensei que não conseguiria ler e entender tudo). Vamos ao Shopping e eles pedem para entrar na livraria, e sempre saímos com sacolinhas de lá (da livraria). O de 5 anos se interessa por livros de animais e dinossauros. Não lê convencionalmente, ainda, mas lê com a imaginação e cria fantásticas histórias para os livros que tem em mãos. O pequeno de 2 anos vive “roubando e degistando” meus livros. Senta e começa: “que lindo, olha mamãe, eu gosto desse livro” . Outro dia, pegou
A Psicanálise dos contos de fadas e começou a “ler” – “uma vez o minino pegou e foi imbora pra casa dele”. Um detalhe: o livro não tem nenhuma figura e ele estava se deliciando.
Eu me sinto muito feliz em ter quatro comedores de livros em casa. Para mim, comer livros é delicioso!”
Gabriela Manzano Geraldini Antonangeli
Professora na Rede Municipal de Ensino de São Paulo
*O depoimento acima foi veiculado durante um debate na Rede Cultura Infância – Fórum permanente
da WEB dirigido pelo ator e ativista cultural Gabriel Guimard – durante as conversas desencadeadas
por um trecho da obra Pedras Soltas.
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