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Entrevista com o escritor
Maicon Tenfenpor Yedda Brascher Goulart Mestre em Literatura (UFSC) Representante Regional da AEI-LIJ Maicon Tenfen apareceu no cenário literário catarinense exibindo um estilo claro, quase coloquial, o que demonstra sua tendência como narrador capaz de manter atentos e interessados leitores de qualquer idade. Yedda — Antes de tudo, quem é, onde vive e o que faz, além de escrever muito bem, o escritor Maicon Tenfen? Maicon — Sou um filho de agricultores que, por razões pouco explicáveis, escolheu o caminho da literatura e da escrita. Nasci em Ituporanca (SC) e lá vivi até os 18 anos. Depois mudei-me para Blumenau e ingressei no curso de Letras da FURB. É lá que trabalho hoje. Escrevo meus livros, colaboro com a imprensa, mas ganho a vida como professor. Yedda — Quais suas obras já publicadas? Maicon — Em ordem cronológica: Entre a brisa e a madrugada (1996), Um cadáver na banheira (1997), O segredo da montanha (1998), O filho do Feliciano (2000) e Mistérios, mentiras e trovões! (2002). Também escrevi textos didáticos e jornalísticos. Em 2002, por exemplo, lancei, na Bienal de São Paulo, uma coleção de livros paradidáticos chamada Aventuras na História. Yedda — Focalizando nossa atenção no livro O segredo da montanha, algumas questões permanecem, como também a dúvida: serão reais ou será uma técnica muito criativa o fato do livro ser dedicado a um amigo (real ou imaginário?), cujo diário vem a ser o detonador da ação narrativa? Maicon — Quando imaginei o enredo de O segredo da montanha, logo entendi que era formado por acontecimentos por demais inacreditáveis. Dessa forma, tive que criar alguns recursos para-textuais a fim de que o público fosse capaz de acreditar na minha história. A dedicatória, a “nota necessária” e a carta que o protagonista endereçou a mim, o autor do livro, são apenas três desses recursos. Claro que também há acontecimentos verídicos em O segredo da montanha, mas prefiro não apontá-los porque assim, pelo menos no meu entendimento, a leitura fica mais agradável e divertida. Yedda — O fato de Blumenau ser uma região para onde, dizia-se, acorriam nazistas nos períodos citados no livro, inspirou-o a escrever sobre uma base germânica nos arredores da cidade, mais precisamente na reserva ecológica do Spitzkopf? Maicon — Não são poucos os mitos e também as verdades a respeito dos nazistas em Blumenau. Isso naturalmente contribuiu para que essa temática chegasse ao meu livro. Já o Spitzkopf entrou de gaiato na história, tudo por causa daquele incêndio que sofreu em 1995. Como você sabe, os acontecimentos da narrativa giram em torno desse fato que, na época, foi chamado de “catástrofe ecológica”. Yedda — A trama do livro tem a ver com a lenda (ou os boatos) de que haveria um túnel sob o Teatro Carlos gomes, por onde se evadiam os suspeitos em caso de perseguição? Maicon — A lenda dos túneis é bastante conhecida aqui em Blumenau. De todas as que circulam na cidade, é a minha lenda preferida. Até porque é muito engraçada. Muita gente diz que os túneis não passam de fantasia. Por outro lado, conheço pessoas que juram que não só viram a “boca da toca” como transitaram por ela. Quem está mentindo nessa história? Sinceramente, não sei. Como ficcionista, porém, gosto quando as coisas ficam assim, no ar... Yedda — Você lança mão de flash-backs e pesadelos, o que torna o livro muito dinâmico e revela o estado psicológico do personagem. Essa técnica foi utilizada para prolongar o suspense e a dúvida sobre a veracidade da narrativa? Maicon — Um dia me perguntaram por que não escrevia uma história linear. Não tenho nada contra a linearidade, mas, sinceramente, ela não me agrada. Desde que assisti ao filme Pulp fiction, há cerca de dez anos, entendi como o intercâmbio entre o passado, o presente e o futuro pode ser estimulante numa narrativa. Ganha-se em agilidade, em efeito, em suspense. Como sou bastante lido por jovens, há quem acredite que eu devesse compor narrativas mais simples do ponto de vista estrutural. Discordo. Minha primeira regra é nunca subestimar a inteligência do leitor, tenha ele a idade que tiver... |