A leitura como uma forma
de "paparicar" os filhos
Miguir T. Viecceli Donoso *
Foi com o livro A sementinha bailarina (Isa Ramos de Azevedo Souza) que esse hábito gostoso nasceu. Eu o encontrei na biblioteca de uma área de Lazer de Belo Horizonte. Reli (de saudosismo) em meia hora o mesmo livro que havia lido pela primeira vez há uns trinta anos atrás. Foi um presente de natal, numa época em que as crianças ainda recebiam livros de presente. Por coincidência (se é que existem coincidências), encontre-o novamente em uma livraria da cidade. Comprei-o e, no mesmo dia, reli a historinha da doce sementinha para minha filha, que a ouviu atentamente e me encheu de perguntas.
Geralmente as mães que trabalham fora procuram compensar com qualidade a falta de quantidade em atenção para com os filhos, e para a gente (eu e as crianças), todos os momentos que ficamos juntos são, de certa forma, especiais. E por que não criar a “hora do conto”?
A verdade é que Dani (a mais velha da dupla, atualmente com 10 anos) adorou a experiência, e resolvemos dar continuidade a mesma com livros que marcaram a minha infância. O segundo foi Meu pé de laranja lima, do saudoso José Mauro de Vasconcelos. Quem não se emocionou com a triste história de Zezé, menino pobre, que descobriu a ternura aos seis anos de idade? Enquanto lia, discutíamos paralelamente os fatos importantes, ou diferentes da realidade das crianças de hoje. Ela me perguntava, por exemplo, “o que é passar graxa nos sapatos”?
Depois vieram Poliana (Eleanor H. Porter) e Poliana moça, da mesma autora. Lembro que fiz meus primeiros trabalhos de interpretação de texto, no colégio, com Poliana. De certa forma, minha filha realiza atualmente interpretação de textos (de maneira informal, é claro) com os mesmos livros. A diferença é que, para ela,
isto é um lazer, um dos momentos gostosos em que convive com a mãe.
Lemos juntas O menino do dedo verde (Maurice Druon), já na 73ª edição. De que edição terá sido o mesmo livro, quando o li aos nove anos de idade?
O último que lemos neste, digamos, estilo de leitura, foi O pacote que tava no pote, de Eloí E. Bocheco, de quem honrosamente fui aluna durante a adolescência.
O caçula (Pedrinho) ainda é muito pequeno (atualmente, está com quatro anos). Seu nível de compreensão é outro. Nossas leituras são paralelas à discussão sobre as ilustrações dos livrinhos estilo Os três porquinhos. Mas já é um começo.
Convivência entre filhos e pais não deve se limitar ao banho, às refeições, aos passeios, às broncas, mas também ao saudável hábito de ler, discutir, dar asas ao imaginário. E cá entre nós – adoro livros infantis!
* Miguir é natural de Capinzal/SC.
Atualmente é professora do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais.
É mestre em Enfermagem e doutoranda em Saúde da Criança e do Adolescente.
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