Correio



“Muitos meses atrás, talvez há mais de um ano, recebi, um dia, em casa, um envelope com boletim interessantíssimo, falando de literatura infantil, acompanhado de uma carta muito simpática, muito gentil, em que O Balainho era apresentado e em que eu era convidado, com toda a cortesia, a colaborar com a publicação.
Eu fiquei encantado com todo o material, mas, naquela ocasião, não encontrei um endereço de e-mail com que pudesse responder ao convite.
Por isso, me programei para responder por carta mesmo. Porém, o tempo foi passando, passando, e eu fui sempre postergando a tarefa, e a devida resposta a um convite tão amigo. Mesmo assim, mesmo diante de meu gesto mal educado, continuei recebendo o jornal, e, a partir de determinada edição, notei que havia o endereço eletrônico de vocês, para contato.
Imediatamente tomei a decisão de escrever-lhes. Mas, novamente, a rotina, a correria e a canseira da minha vida me engoliram, e nada de responder-lhes.
E, mesmo diante dessa minha grosseria, abro um dia o Balainho e vejo meu livro mais recente, o Cambalhota, indicado no Balaio Mágico. Que dizer agora! Vocês não sabem a vergonha que me causaram. Eu, sempre adiando a resposta e o contato com vocês, e vocês, de uma nobreza enorme, de uma gentileza sem tamanho, indicando meu livro!!!!
Era mais do que o momento de agradecer por tudo, pelo simples fato de vocês assumirem uma missão tão brilhante e fundamental, e a levarem a cabo com tanta elegância e qualidade.
Mas, apesar disso, tornei a ser atropelado pelo tempo, e mais uma vez deixei minha resposta passar. E, ainda assim, continuei recebendo o Balainho, mesmo com tantos e repetidos gestos de desconsideração.
Porém, hoje chegou o momento. Chega de adiamentos!
Hoje me determinei a escrever para vocês. Para dizer que estou admiravelmente assombrado pela maneira acolhedora e complacente que vocês tiveram sempre por mim, pela altivez de vocês diante de meu silêncio, pela qualidade da publicação, pelo esforço de vocês de produzir um informativo de valor, pela capacidade de distribuí-lo sem mesquinharias.
Quero dizer algo que há muito tempo venho pensando em dizer-lhes: estou, sim, inteiramente à disposição de vocês, para qualquer tipo de colaboração de que vocês necessitarem. Contem comigo para o que for preciso, e desde já prometo que nunca mais vou demorar tanto!
Mais uma vez, quero dar-lhes os parabéns mais sinceros pelo Balainho, uma publicação que, sendo simples e curta, é incrivelmente importante, reflexiva, profunda e acessível, inteiramente luminosa e estimulante para os que convivem com a literatura infantil ( e, afinal de contas, quem não convive, seja como professor, como pai, como tio, como adulto, seja quem for, que convive com crianças, e que deve ( devemos todos) ter um cuidado especial com aquilo que apresentamos a elas, uma ponderação sensível sobre o mundo delas, literário ou não. E isso o Balainho nos oferece de sobra.
Beijos, parabéns, e infinitos obrigados pela paciência com que me trataram”.


Ricardo da Cunha Lima
São Paulo - SP