Leituras&Leitores
Colegas do Balainho,
a entrevista com a professora Maria da Glória
Bordini, na edição 18, está formidável
e merece ser lida e meditada. Cito um trecho da entrevista em que a professora Maria
da Glória fala das políticas de leitura em nosso país: “Levando em conta a expansão
territorial do País, o problema é alcançar universalmente escolas e comunidades, no
que os estados e municípios têm grande parcela de culpa, pois não promovem a leitura
em sua área de atuação”. Vamos combinar que, salvando-se honrosas e dignas exceções,
em Santa Catarina, os municípios pouco investem em livros e dinamização de bibliotecas.
Estou errada? Então, olhem só: há pouco tempo li, num dos nossos jornais, uma declaração
de um Secretário de Educação Municipal, em que o mesmo dizia-se muito feliz porque
estavam apostilando as escolas do município, isto é, adotando apostilas prontas para
serem seguidas.
Fiquei atônita. Dizer-se alegre por estar a-pos-ti-lan-do o ensino!!!! Se esse
senhor dissesse que estava feliz porque estavam com bibliotecas repletas de ótimos livros
em todas as escolas e as crianças tendo acesso a eles e se esbaldando de tanto ler,
aí eu ia louvá-lo. Mas, dizer-se feliz porque apostilaram as escolas é muito ruim,
minha gente. Apostilamentos não são salutares para a criatividade e a imaginação,
como se sabe. Que belo dinheiro mal aplicado, não? Quanto livros maravilhosos de nossos
artistas do livro não daria pra comprar com esse dinheiro! Esse é apenas um exemplinho,
dentre tantos que eu poderia citar. Ah, uma coisa que temos que mudar é esse negócio
de atulhar uma biblioteca só com acervo de doações, em geral livros didáticos velhos,
pra dizer que tem acervo. É válido reciclar as doações, sempre vêm coisa boa, umas até
preciosas e raras, mas façam-me o favor: é preciso investir grana em livros novos
também, senão o acervo vai ficando pra trás. Temos livros maravilhosos, nossa LIJ é
uma área de excelência do paí, não faz sentido ignorar a produção literária em curso.
Se esta missiva for muito longa, por favor cortem, mas quero dizer mais uma coisinha que
me incomoda profundamente: não vejo os nossos deputados aqui de SC, defendendo o
acesso ao livro. No quesito “O Legislativo e a formação de Leitores”, o silêncio é
grande. Exceção seja feita à deputada Ana Paula Lima que, por duas vezes, já vi sair
em defesa de livros para as escolas.
Irrita-me ver que perdem tempo com coisas como dar a tal município o nome de
representante do mate, do alho, da cebola, do xote, etc.. Por que não se preocupam
com coisas que realmente façam diferença para a cidadânia? Livro faz diferença.
O livro precisa chegar antes nas mãos das crianças; antes da drogra, antes das armas de fogo.
Era isso, por enquanto, meninas. Vai meu abraço e votos de feliz 2004 para
O Balainho e sua equipe!
Olga Maria K. Morais São José SC
Gostei da entrevista com a professora Maria
da Glória Bordini, na edição 18, que colei
a edição na porta da minha sala de aula. Teve quem leu ali mesmo e teve quem pediu pra
levar pra casa. No final, a edição parecia velha de tanto manuseio. As palavras dessa
conceituada pesquisadora lavaram-me a alma. O que é bom nesse Balaio é que as matérias
lavam a alma da gente porque vemos os doutores dizerem coisas que também dizemos no
interior da escola, mas nem sempre somos ouvidos. Então quando alguém com autoridade
diz, com palavras sábias e notório saber, as coisas que também defendemos ardorosamente,
aproveitamos para calçar as nossas defesas que, embora ditas com palavras simples, não
são menos sinceras.
No meu modo de ver, por aqui não estamos unidos para lutar pelo acesso ao livro.
A professora Glória conta como o seu Estado conseguiu congregar forças e ações e criar
uma tradição forte de leitura. E a ênfase foi dada ao livro literário, que é o que mais
consegue apaixonar pela leitura.
Agradeço a atenção e envio um grande abraço à toda a equipe com votos de muitas
edições pela frente.
Marlene C. da Silva Zanchetti São Miguel do Oeste SC
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