Leituras&Leitores
Gostaria de sugerir às Secretarias de Educação que promovessem encontros
com as pessoas que cuidam das bibliotecas escolares. Há quantos anos, não há um
encontro assim em Santa Catarina? Uma biblioteca é um lugar da maior importância
dentro de uma escola. É o lugar em que circulam as energias da criação, da invenção,
das descobertas, das idéias.
Devia ser um lugar arejado, claro, bem iluminado, amplo. Deveria ser o lugar
onde cada criança, cada jovem tivesse desejo de entrar e ficar entregue aos prazeres
da leitura, do conhecimento. Devia ser tão acolhedor que os leitores quisessem voltar.
Reconheço que há as boas exceções, mas, no geral, o que se vê não é animador.
Há atendentes mal — humorados, ranzinzas, não-leitores. Há pouco tempo, vi uma cena
que me chocou. Uma menina da 4ª série, leitora voraz, queria levar pra casa
O Xangô de Baker Street. A “bibliotecária” não queria deixar porque achava
que era um livro com muitas páginas e achava que a menina não ia ler. Houve teima
da menina, insistência. A menina queria levar AQUELE livro, não outro. No final das
contas, a professora da menina interveio, disse que a menina estava acostumada
a ler livrões como aquele e até mais volumosos. Aí a menina pôde sair faceira
com o livro que queria. Vi a hora em que a atendente ia dar uma livrada na cabeça
da menina de tão irritada que ficou com a escolha da criança.
Nem se trata de julgar o comportamento dessa moça, mas de rever a situação
em que se encontram nossas bibliotecas. Se não temos a carreira de bibliotecário,
então, por favor, designem para esta tarefa um professor da escola que seja
o mais apaixonado por livros. Uma pessoa que ama os livros consegue envolver
as crianças e tornar a biblioteca um espaço desejado e saudado com alegria.
É tanto discurso das autoridades sobre “conter a violência”,
“acabar com a violência”, “cortar as raízes da violência”, e não se dão conta
de uma coisa básica, óbvia, ululante, clara como água limpa, que o livro é uma
das ferramentas de prevenção contra a violência porque o livro ajuda botar coisas boas
na cabeça e no coração. Especialmente o livro literário que permite ao leitor
viver muitas vidas, conhecer muitos mundos, ver pontos de vista diferentes dos seus,
conhecer modos de ser, jeitos de viver diferentes, experienciar o sofrimento alheio,
ver as alheias tristezas, as alegrias, através dos personagens.
Acho muito triste Santa Catarina não ter a carreira de bibliotecário
e não estar com suas bibliotecas escolares públicas devidamente organizadas.
As autoridades proclamam que estão instalando computadores nas escolas como
um feito revolucionário, definitivo, a solução para todos os problemas da educação.
Queremos os computadores, sim, mas queremos um circuito de livros funcionando.
Crianças com livros nas mãos. Nada substitui o livro. Até Bill Gates,
o mago da informática, parece não se descuidar desse ponto: “É claro
que meus filhos terão computadores. Mas, antes disso, terão livros”.
Tenho dito e obrigada pela atenção de vocês!
Não esqueçam de me mandar o Jornalzinho, ok?
Andréia Cláudia Lemos de Souza
Florianópolis SC
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