e n t r e l i n h a s

Fábula
Cidade dos desgraçados

Yedda de Castro Bräscher Goulart
Representante Regional da AEI-LIJ
yedda@floripa.com.br

Neste livro (Hemisfério Sul, 2002), Hugo Máximo demonstra seu domínio sobre o romance de suspense, com fortes componentes visuais, o que nos faz refletir sobre as possibilidades de apresentação cinematográfica, o que o transformaria num filme de terror.
A obra transpõe os limites da realidade e nos conduz totalmente a uma dimensão surreal onde se trava a batalha entre o bem e o mal, entre a fragilidade humana e o poder das trevas. A trama muito bem urdida mantém o sobressalto até o último capítulo e a leitura como que nos faz reféns ao lado dos personagens, solidarizando-nos com eles e sentindo os horrores que enfrentam.
Classificando-o como fábula, o autor nos incita à decodificação de um conteúdo polissêmico, portanto altamente metaforizado. A Cidade dos desgraçados contém ingredientes insólitos e nos coloca frente a frente com nossos limites.
A trama traz à tona a questão da acomodação e do servilismo diante do poder maior e do medo ao mesmo tempo que demonstra a capacidade humana de superação do ceticismo e do medo. E é esta superação a única forma de salvação. O suspense em que a trama mantém o leitor é digno dos mestres deste estilo.