Fábula
Cidade dos desgraçados
Neste livro (Hemisfério Sul, 2002),
Hugo Máximo demonstra seu domínio sobre o romance de
suspense, com fortes componentes visuais, o que nos faz refletir sobre as possibilidades de
apresentação cinematográfica, o que o transformaria num filme de terror.
A obra transpõe os limites da realidade e nos conduz totalmente a uma dimensão surreal
onde se trava a batalha entre o bem e o mal, entre a fragilidade humana e o poder das trevas.
A trama muito bem urdida mantém o sobressalto até o último capítulo e a leitura como que nos
faz reféns ao lado dos personagens, solidarizando-nos com eles e sentindo os horrores que
enfrentam.
Classificando-o como fábula, o autor nos incita à decodificação de um conteúdo polissêmico,
portanto altamente metaforizado. A Cidade dos desgraçados contém ingredientes insólitos
e nos coloca frente a frente com nossos limites.
A trama traz à tona a questão da acomodação e do servilismo diante do poder maior
e do medo ao mesmo tempo que demonstra a capacidade humana de superação do ceticismo
e do medo. E é esta superação a única forma de salvação. O suspense em que a trama mantém
o leitor é digno dos mestres deste estilo.