Leituras&Leitores
Achei excelente o artigo de Luiz Antonio Aguiar
sobre a didatização da literatura. Acredito que, pra começo de conversa, nós, educadores,
precisamos aprender a distinguir um texto literário de um outro texto. Inclusive dos
pseudo-literários, que só porque contam uma história, se proclamam como literários,
mas são arremedos. Entendo que temos que clarear bem para nós mesmos essa diferença,
sob pena de oferecermos a nossos alunos uma dieta pouco saborosa de leitura. Parece-me
que fazemos uma mistura muito grande. Vejam só: por um lado, didatizamos textos
literários de verdade, textos artísticos, e, por outro, oferecemos embustes de textos,
que não têm nada de literário, como se o fossem. Isso não ajuda em nada a formação de
leitores. Por isso, o artigo citado (edição 13) é muito oportuno para nossa reflexão.
Abraço a todos dO Balainho.
Maria C. Lacerda Joinville SC
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Quero lhes dizer que a coluna Histórias pra boi acordar veio de encontro a uma prática que desenvolvo em leituras literárias. Costumo levar para a sala de aula textos "desocupados", quero dizer, limpos de ilustrações. Leio para eles ou com eles, conversamos sobre as narrativas, nos perguntamos e perguntamos ao texto muitas coisas, recriamos, etc. e depois peço para ilustrarem esses textos "limpos". O resultado é muito bom, pois noto que eles ilustram com mais criatividade, não ficam colados no traço dado. Hoje em dia, é raro a gente encontrar uma história "limpa", por isso gostei tanto da coluna e espero que continue.
Aproveito para colocar algumas perguntas que me afligem: Não estão os livros infantis "ocupados" demais? Cheios de cores demais? Sinceramente, alguns livros são tão cheios de tinta que parecem borrões de cores, a gente tem que fixar bem o olho pra achar o texto escrito.
Vivemos uma ditadura da imagem, tudo é design, design, livro também é design, tem que ter design majestoso, colorido. Não discuto que tenha que ser bonito, bem ilustrado, claro. Mas precisa ocupar todo o espaço, sufocar o texto escrito, reverberar tanto?
Não sobra nada, um pedacinho de página branca, tudo tomado, nem um tantinho de branco para a criança ocupar também. Não é autoritário um livro todo carregadão, pesadão de cores, cheio, cheio, até não caber mais?
Creio que um exemplo de sobriedade são as ilustrações de Flor Opazo, nos livros infantis de Clarice Lispector, da Rocco. Meus alunos adoram essas ilustrações, curtem, se divertem, e sobra papel branco, não é tudo tomado. O texto rico da autora tá ali, poderoso, equilibrado com as ilustrações também poderosas, mas leves, gostosas de olhar e brincar.
Penso que não se deve radicalizar essa coisa do design, o que seria aliar-se à ditadura da imagem. Há livros que trazem tão somente uns bicos de pena em preto e branco e são maravilhosos. O fato do livro não ser exuberante não impede que as crianças amem os textos que valem a pena, se apaixonem, peçam pra ler de novo. Francamente, não precisa achatar a imaginação da criança com tanto colorido!
Obrigada pela atenção e parabéns a Unoesc/Joaçaba , que tem levado adiante a proposta.
Ana Lúcia Cadore
Caçador SC
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Larguei meus estudos na 4ª série primária e, só agora, aos 45 anos, pude retornar à escola. Por sorte, desde que aprendi a ler nunca me separei dos livros. Em primeiro lugar da Bíblia, que sempre foi meu livro de cabeceira. Os salmos, por exemplo, sei todos de cor e recito um ou outro, de vez em quando, para meu próprio enlevo. Trabalhei em muitas casas ricas e aproveitei todos os livros que encontrava nessas casas. Algumas não tinham propriamente livros, mas encadernações falsas, que a gente ia tocar e encontrava dentro tudo oco. Era só pra enfeitar a estante, fazer de conta que tava cheia de livros. Mas, em duas casas especialmente, tinha livros de verdade. Muitas coleções de autores brasileiros e estrangeiros. Algumas coleções como a de José Lins do Rego e Érico Veríssimo, li todas, sendo que alguns livros, como Riacho Doce e Clarissa, li mais de uma vez.
Não encontrei dificuldades para retomar meus estudos. Até me perguntaram na coordenadoria se eu tinha feito algum cursinho preparatório porque me expressei bem e redigi meu texto com boas idéias. Respondi que leio bastante, tô sempre lendo e isso ajuda muito meus pensamentos se assentarem com justeza. Sonhei muito em voltar aos estudos, mas só agora consegui, devido a mil coisas (ruins) que passei em minha vida. Se eu não tivesse lido tudo que li, talvez eu nem conseguisse. Ia ficar meio enferrujada. Mas a leitura me ajudou, bem dizer fez um caminho pra mim.
Eliete B. Antunes Lagoa Vermelha RS
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