Pierre Gripari,
um excelente contador de histórias
editora Martins Fontes publicou no ano passado uma coleção chamada Contos da minha rua: os livros são bonitos graficamente, muito bem editados e ilustrados, e as histórias são realmente especiais. Os cinco livros que reúnem os contos de Pierre Gripari são todos excelentes, fazendo com que nos apaixonemos por este autor francês de 75 anos, que muitas vezes é personagem das próprias histórias que inventa, pois, afinal, muitas delas se passam no seu bairro, nas parisienses ruas Broca ou na Mufetar, como as das bruxas...
Chamam-se
O diabo de cabelo branco,
O gigante de meias vermelhas,
A bruxa do armário de limpeza,
O vendedor de palmadas,
A bruxa e o delegado,
A fada da torneira e todos têm como complemento e outros contos: em cada
livrinho há quatro encantadoras histórias e personagens para todos os gostos. Há os clássicos que retomam numa
atualização muito bem humorada, os novos que aproveitam velhos temas, novos elementos enriquecendo cenários
antigos e tramas bem construídas, fantasticamente ricas em magia, non-sense e humor.
Não-sei-quem, não-sei-o-quê, numa reunião de vários contos russos, que conversa
lindamente com Indo não sei aonde, buscar não sei o quê, outro livro imperdível de Ângela
Lago e da editora RHJ. O personagem de Gripari é Falta-de-sorte, o idiota da família, enquanto o de Ângela é
o zonzo Seinão, um belo exemplo de intertextualidade que cada vez mais enriquece a literatura.
A qualidade das ilustrações de Cláudia Scatamacchia merece destaque, num casamento primoroso entre beleza
e adequação, que se estende a todo projeto gráfico, também dela. A tradução, muito bem cuidada, é de Mônica
Stahel. Ah, as bruxas, ia me esquecendo delas: tem a do armário da cozinha, que fica quietinha enquanto
ninguém chegar em casa desafiando "Bruxa vagabunda, cuide bem da sua bunda!"
Ana Carolina, de cinco anos, elegeu-a como a sua predileta! E tem aquela que é presa pelo delegado mas que
depois os vizinhos tudo fazem para soltar, pois....
Ah, é melhor ler os livros, contar assim não tem graça.
Profª. Tânia Piacentini - Ofícios do Livro
Florianópolis – SC
http://oficiosdolivro.org.br
Um cadáver na banheira
livro Um cadáver na banheira, de Maicon Tenfen tem como narrador personagem Jorge Gustavo de
Andrade. Ele é expulso de casa por suposta prática de macumba e resolve transformar o sonho em realidade:
publicar o seu romance "O Retomo do Alquimista" e ser famoso.
Depois de sofrer um acidente de ônibus, chega a Witman, onde passa a lecionar Português e se envolve,
sexualmente, com Jaqueane. Descoberto pelo futuro sogro, é obrigado a fugir para Blumenau, levando-a consigo
e mais R$ 8.000 que ela furtou de seu pai. Com eles, Jorge pensa em concretizar, mais rapidamente, a sua
aspiração. Ficou, porém, sem o dinheiro, quando seqüestrado e dado como morto pela gangue de seqüestradores,
depois que se jogou no abismo, empreendendo uma fuga espetacular.
Já na pensão, surpreende um dos bandidos pronto para estuprar Jaqueane, grávida de alguns meses. Pensa
tê-lo matado com uma pazada e joga-o na banheira; finge-se de morto quando o pai da moça aparece para levá-lo
de volta e, depois, surpreende--se diante do misterioso desaparecimento do suposto cadáver...
Um Cadáver na Banheira é uma história policial muito bem urdida, que tem como fio condutor a obsessão de
Jorge pela publicação do seu romance O Retorno do Alquimista e os dribles que precisa dar nas sucessivas e
inesperadas contendas em que se envolve para concretizar o seu sonho. A ação do livro é passada entre Rio do
Sul, Ibirama (com rápida passagem por Presidente Getúlio) Witmarsum e Blumenau. A história e dividida em
quatro partes, sem que obedeça a um plano linear. Os fatos desvendam-se aqui, para recomeçarem ali, o que
torna a trama intrigante e instigante, prendendo a atenção do leitor do início ao fim. Apesar do estigma,
Jorge viu coroada de êxito a sua obstinação, uma vez que saiu praticamente ileso do episódio, passando a ter
a vida que pediu a Deus.
Maicon Tenfen, o autor, é um jovem talento de Ituporanga que vai construindo uma obra digna de respeito,
consolidando seu nome a cada dia que passa e integrando-se, definitivamente, na elite da Literatura
Catarinense.
Silvério Ribeiro da Costa Escritor Chapecó/SC
|