A literatura nos estágios
acadêmicos de educação infantil
Cristina de França Chiaradia
Psicóloga, Mestra em Educação e
Professora/MEN/CED/UFSC/Florianópolis/SC
Criar espaços de imaginação e fantasia nas crianças. Talvez seja esta ampliação do repertório cultural o que faz com que a literatura tenha um papel tão importante nos estágios curriculares de educação infantil. Estes estágios são feitos em instituições que trabalham com crianças de O a 6 anos.
Como supervisora de estágio venho, gradativamente, percebendo esta importância não apenas como mais um dos ítens que devem ser trabalhados, mas sim como um instrumento possibilitador de prazer à criança, como um instrumento que proporciona um aprender se emocionando: rindo, tremendo, pulando, se assustando, se entristecendo ou se alegrando. Noto as riquezas destes momentos quando as estagiárias se dão ao envolvimento, quando se permitem sentir e se transformar a cada história. Quando se põe a trocar experiências com as crianças, aprendendo e ensinando de forma transversal e dinâmica.
É assim que se utiliza o momento do conto, os teatros, as brincadeiras com bonecos, os desenhos. Linguagens diversas para que esta relação se estabeleça e seja rica a ambas as partes. Não há quem não se encante quando se deixa envolver com o narrador, o leitor ou o contador de histórias, que traduz as emoções dos protagonistas, não importa se com os livros, os fantoches ou as fantasias de personagens. O ingrediente que faz com que a literatura seja uma das pérolas do trabalho com crianças é o envolvimento do profissional nessa viagem no imaginário, uma espécie de auto- permissão para romper barreiras e, assim, criar possíveis para a fantasia, para a ludicidade.
A beleza destes momentos está nas novas maneiras de contar histórias, apresentando autores, lugares, personagens... Narrativas diferentes construídas com materiais diversos (papéis, panos e plásticos) ou em lugares diversos (na sala, no parque ou na biblioteca).
O mergulho na criação, no ato de inovar, de se arriscar, de se superar com o uso de múltiplas linguagens, é a forma de atrair e ser atraído pelas crianças no prazer de imaginar e fantasiar, no prazer de ouvir e contar histórias.
Fazendo com que uma criança compreenda que uma história pode ser lida vinte vezes do mesmo jeito, corrigindo o leitor quando ele esquece uma palavra ou modifica uma frase, como também, que é possível se criar novos enredos para os mesmos personagens, ou novos personagens para um mesmo enredo.
É deste modo que a criança vai entrando no mundo da leitura e da escrita, trazendo a história para o seu mundo e o mundo para a sua história. É assim que, as diversas narrativas vão penetrando no seu cotidiano e as histórias e os livros vão constituindo o seu universo.