Leituras, Olhares...

As paredes da

infância de Anair


Silvério Ribeiro da Costa
Escritor — Chapecó SC

O livro As paredes da minha infância, de Anair Weirich, de Chapecó, contém poemas dos seus dois primeiros livros: Reavivando emoções e Poesias do cotidiano. A última parte, que deu título ao livro, é composta por poemas inéditos, que revelam uma Anair mais madura, mais evoluída, mais segura de si, mais consciente do fazer poético, inclusive, ao poder de síntese e precisão.
Realmente, a poeta conseguiu superar a barreira da prolixidade e começa a ter a percepção de que o poema curto diz tanto, se bem urdido, quando o longo. Os seus poemas revestem-se das coisas do cotidiano, às vezes, até, circunstanciais, mas impregnados dos sentimentos da alma humana, que a sua sensibilidade/feminilidade não deixam ocultar.
Não se esgotam, porém, na afetividade e no lirismo amoroso a poesia de Anair. Ela sabe enveredar por outras sendas, embora com menos apetite, mas nem por isso com menos veemência. Sua linguagem é destituída de grandes rasgos, como ela mesmo diz, para se fazer entender mais facilmente. Sua objetividade elide os jogos semânticos e exclui, praticamente, a metáfora, mas abre novos horizontes dentro da trajetória que se propôs empreender, e isso também é importante. Eis a comprovação:

NOITE DE LUAR

Debruçada sobre a cerca
A roseira olhava a rua...
E alua, toda nua,
Se exibia em explendor

Olhava as rosas faceiras
Que caíam pelas beiras,
Roseiras feitas de amor!

MELANCÓLICO

Tapetes de folhas
ao chão.
Outono de mim.
Sonhos fugindo
pelo portão.