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No país de Honga Bonga Longa, cada criança que nasce recebe de presente um baú
de livros. O baú fica guardado na parte mais importante da casa (todos têm casa).
Chega um dia em que o menino ou a menina vão abrir o baú. E aí... Tudo pode
acontecer! Cada espanto! Cada encanto! Cada mergulho de tirar o fôlego!
As crianças de Honga Bonga Longa não querem trocar seus baús de livros por
nada: “nem por ouro, nem por prata, nem por sangue de lagarta”, disse uma garota
de seis anos quando lhe propuseram uma troca.
Honga Bonga Longa é um país inventado. Contudo, as crianças reais, quando
conduzidas ludicamente ao universo dos livros, também não querem abrir mão da
experiência poética.
Feito que não vai ter mais histórias. O que você faria?
“Eu ficaria de mal com a professora.”
Priscila - 1ª série/1995
“Eu sofreria com isso, pois sempre espero o dia da professora contar histórias
pra nós.”
Edna - 1ª série/1995
“Eu ia dizer pra profa dar livro pra mim porque dá saudade dos livrinhos e
a gente fica com vontade de ler.”
Rudinei - 1ª série/1995
Em Honga Bonga Longa, não existe escola sem biblioteca. É livro indo, é livro
vindo, livro se misturando ao movimento da vida, livro indo junto na viagem,
no passeio, livro partilhado com pai, mãe, tia, avó e quem aparecer. A corrente
da paixão pela leitura envolve grandes e pequenos num mesmo movimento porque,
afinal, ser leitor faz bastante diferença nas escolhas da vida de alguém,
no jeito de estar neste planeta emprestado, no jeito de se relacionar com o
outro, seja o outro gente, rio, planta, fruta, bicho.
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