Conhecendo os escritores
de literatura infantil e juvenil
Pe. Sérgio — A capacidade de sonhar, de alimentar sonhos que nos projetam adiante, vem antes de tudo do mundo mágico estruturado na infância. E isto se dá, ao meu ver, especialmente através dos livros. Crianças e livros são sempre uma parceria que dá certo. Seres pensantes no amanhã são, antes de tudo, bons leitores hoje. Dar acesso à leitura para uma criança é gerar qualidade de vida já. Balainho — O gênero Literatura Infantil, devido às circunstâncias históricas de seu surgimento, era considerado um gênero menor, desprezado pelos adultos. O que mudou? Pe. Sérgio — Mudaram algumas coisas... Da parte das editoras, houve a descoberta de que era um filão valiosíssimo a ser explorado economicamente... Quando há isto, as editoras se interessam, valorizam e publicam determinada obra. Da parte dos adultos (os pais de um modo geral), houve a tomada de consciência de que o sucesso pessoal do futuro passa pelo domínio da linguagem, do pensamento, da fantasia no hoje. Uma pena que nem sempre o poder aquisitivo dos pais acompanhe este desejo de fornecer boa leitura aos filhos. Balainho — Como vê a divulgação dos autores de literatura infantil e juvenil em Santa Catarina? Como está a circulação de seus livros? Pe. Sérgio — Divulgação de literatura infantil no Estado é muito pouca ou praticamente inexistente (salvo raras exceções da capital). A circulação de meus livros está boa graças, antes de tudo, às editoras... Quando lando algum livro, envio para todos os jornais conhecidos, raras vezes noticiam. O espaço normalmente é comprado por grandes editoras ou livrarias. Balainho — Como o senhor escreve, isto é, como surgem os enredos? Pe. Sérgio — Cada livro tem seu processo pessoal... Normalmente uma idéia vem à mente e fica fervilhando alguns dias, semanas... É o tempo da gestação. Depois, basta criar personagens, cenários, etc. ... O mundo das fábulas, particularmente, me encanta por demais. Balainho — Como convivem o padre Sérgio Jeremias e o escritor Sérgio Jeremias? Em quê um ajuda o outro (ou não)? Pe. Sérgio — Creio que não posso separar dos dois o leitor Sérgio Jeremias... Adoro ler... Acho que estou um pouco em dívida com a literatura infantil de um ano para cá... Acabei me enveredando mais pelos livros de mensagem a pedido das editoras. Este tipo de literatura me ajuda muito e complementa meu trabalho de padre. Balainho — Qual foi o seu livro infantil mais festejado, mais lido, mais visitado pelos Leitores? Pe. Sérgio — Há três livros que quero destacar: Balainho — Qual é o seu atual projeto de escritura na área do livro infantil? Pode adiantar aos leitores de O Balainho? Pe. Sérgio — São dois: um livro com a coletânea de algumas histórias que já publiquei. Vai ser a pedido dos leitores e da própria editora. E um outro um pouco mais denso, com uma história um pouco maior do que o normal, com seres mitológicos e fantásticos ao estilo Tolkien. |