Conhecendo os escritores

de literatura infantil e juvenil

Contatado por e-mail, o escritor Pe. Sérgio Jeremias de Souza, que é natural de Braço do Norte SC e reside atualmente em Tubarão SC, atendeu gentilmente o convite para fazer parte desta edição do nosso boletim.
O Pe. Sérgio Jeremias começou a carreira literária aos 18 anos. Sua primeira obra foi Benina Bernunça com dor de barriga, obra que foi premiada no Concurso de Histórias para a Infância Catarinense, promovido pela LADESC. A partir daí, o Pe. Sérgio Jeremias não parou mais sua produção literária. Possui mais de 58 publicações na área de livros infantis, livros-mensagem, literatura religiosa, poesia e outros.
Segundo ele mesmo afirma, prefere ser definido como um “Contador de Histórias”, alguém que recebeu do criador o Dom da palavra escrita e falada e quer colocá-la a serviço da vida e da esperança. O Pe. Sérgio tem livros publicados pelas editoras Ave Maria, Paulinas, Paulus, Vozes, Mercado Aberto, dentre outras.
Balainho — Crianças e histórias, crianças e poesias, crianças e livros. Em que sentido esse envolvimento faz diferença para a vida da criança, na sua opinião?
Pe. Sérgio — A capacidade de sonhar, de alimentar sonhos que nos projetam adiante, vem antes de tudo do mundo mágico estruturado na infância. E isto se dá, ao meu ver, especialmente através dos livros. Crianças e livros são sempre uma parceria que dá certo. Seres pensantes no amanhã são, antes de tudo, bons leitores hoje. Dar acesso à leitura para uma criança é gerar qualidade de vida já.

Balainho — O gênero Literatura Infantil, devido às circunstâncias históricas de seu surgimento, era considerado um gênero menor, desprezado pelos adultos. O que mudou?
Pe. Sérgio — Mudaram algumas coisas... Da parte das editoras, houve a descoberta de que era um filão valiosíssimo a ser explorado economicamente... Quando há isto, as editoras se interessam, valorizam e publicam determinada obra. Da parte dos adultos (os pais de um modo geral), houve a tomada de consciência de que o sucesso pessoal do futuro passa pelo domínio da linguagem, do pensamento, da fantasia no hoje. Uma pena que nem sempre o poder aquisitivo dos pais acompanhe este desejo de fornecer boa leitura aos filhos.

Balainho — Como vê a divulgação dos autores de literatura infantil e juvenil em Santa Catarina? Como está a circulação de seus livros?
Pe. Sérgio — Divulgação de literatura infantil no Estado é muito pouca ou praticamente inexistente (salvo raras exceções da capital). A circulação de meus livros está boa graças, antes de tudo, às editoras... Quando lando algum livro, envio para todos os jornais conhecidos, raras vezes noticiam. O espaço normalmente é comprado por grandes editoras ou livrarias.

Balainho — Como o senhor escreve, isto é, como surgem os enredos?
Pe. Sérgio — Cada livro tem seu processo pessoal... Normalmente uma idéia vem à mente e fica fervilhando alguns dias, semanas... É o tempo da gestação. Depois, basta criar personagens, cenários, etc. ... O mundo das fábulas, particularmente, me encanta por demais.

Balainho — Como convivem o padre Sérgio Jeremias e o escritor Sérgio Jeremias? Em quê um ajuda o outro (ou não)?
Pe. Sérgio — Creio que não posso separar dos dois o leitor Sérgio Jeremias... Adoro ler... Acho que estou um pouco em dívida com a literatura infantil de um ano para cá... Acabei me enveredando mais pelos livros de mensagem a pedido das editoras. Este tipo de literatura me ajuda muito e complementa meu trabalho de padre.
Quanto à literatura infantil, é uma forma que encontrei para defender princípios humanitários que julgo essenciais ao nosso mundo (sem conotação religiosa, necessariamente). Tanto o padre Sérgio Jeremias, como o escritor Sérgio Jeremias, são os dois sonhadores inveterados e apaixonados pela leitura.

Balainho — Qual foi o seu livro infantil mais festejado, mais lido, mais visitado pelos Leitores?
Pe. Sérgio — Há três livros que quero destacar:
I. Uma chama adormecida. Saiu lentamente e depois explodiu devido ao tema que tratava: espiritualidade em forma de fábula com unicórnio e tudo...
II. Esta solidão de amigos. Trata da busca pela amizade na adolescência e juventude.
III. O guardião dos sonhos no labirinto de vidro. Fala da necessidade que temos de cultivar nossos sonhos.

Balainho — Qual é o seu atual projeto de escritura na área do livro infantil? Pode adiantar aos leitores de O Balainho?
Pe. Sérgio — São dois: um livro com a coletânea de algumas histórias que já publiquei. Vai ser a pedido dos leitores e da própria editora. E um outro um pouco mais denso, com uma história um pouco maior do que o normal, com seres mitológicos e fantásticos ao estilo Tolkien.